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MINHAS METAS
  • Conceitualizar ambientes de negócios;
  • Identificar as mudanças nos ambientes interno e externo;
  • Identificar como políticas econômicas podem influenciar no negócio.

INICIE SUA JORNADA

Neste tema de aprendizagem, você terá a oportunidade de identificar as mudanças nos ambientes externo e interno, considerando os impactos nos negócios. Nesse contexto, identificaremos como as políticas econômicas podem influenciar no contexto dos negócios. Durante este tema iremos acompanhar o Antônio, um jovem empreendedor, que ao longo de sua trajetória no mundo dos negócios, enfrentou altos e baixos. Agora nos aprofundar na história do Antônio?

DESENVOLVA O SEU POTENCIAL

Antônio foi um empreendedor que se tornou milionário antes dos 30 anos, mas, logo, perdeu toda sua fortuna, pois investiu em um negócio sem considerar uma análise de panorama de mercado. Apesar de seu instinto nato para empreender, ele não foi bem-sucedido, por causa da sua falta de conhecimento sobre as influências dos fatores externos nos seus negócios e da necessidade de planejamento. Como Antônio não possuía entendimento sobre esses aspectos, não foi capaz de mensurar o risco de seu negócio e desenvolver um planejamento que pudesse o mitigar. Ao abrir sua empresa em 2008, acabou sendo beneficiado pelos programas do governo (Minha Casa Minha Vida), os quais estavam incentivando, justamente, o seu público-alvo a adquirir um imóvel. Ademais, apesar do mundo estar passando por uma crise financeira mundial, os impactos dela foram minimizados nesse setor por causa dos programas governamentais, o que resultou em cinco anos de intensa prosperidade para a empresa de Antônio, que aproveitou para contratar empréstimos, de forma a alavancar, financeira e operacionalmente, o seu negócio.

Uma vez que tudo que Antônio construía era vendido em um pequeno espaço de tempo, ele focou na construção em escala, sem perceber que uma nova crise estava por vir, nos anos de 2013–2014, crise essa que resultou, rapidamente, em uma escassez de créditos e em uma elevação da taxa de juros. Essa crise, porém, foi passível de ser prevista, pois o governo estava gastando demais e desenvolvendo políticas de incentivo ao consumo em diversos setores, pois essas políticas, que vinham sendo adotadas desde 2008, começaram a resultar em um efeito adverso, em que a demanda aquecida levou a um aumento da inflação. Então, para minimizar isso, o governo elevou a taxa básica de juros, buscando desestimular o consumo, dessa forma, as empresas que tinham ampliado a sua capacidade produtiva viram a demanda cair, o que elevou o número de demissões de funcionários e de falências daqueles negócios que estavam endividados, por causa dos altos investimentos realizados no setor produtivo, de forma atender à demanda que, até então, estava aquecida.

Nesse contexto, havia, ainda, um problema de desvalorização de preço das commodities no mercado externo, isto é, houve uma redução no preço dos principais produtos vendidos pelo Brasil internacionalmente, influenciando o nosso balanço de pagamentos, que, apesar de estar, ainda, positivo, em 2013, reduziu-se 86%, em relação ao ano de 2012. Esse saldo foi influenciado pelas contas de petróleo, em que o país importou mais do que exportou, e, também, pela redução das exportações, resultantes da demanda internacional desaquecida. Aliado a tudo isso, estávamos passando por uma crise política no governo, que levou à queda da presidente atual, nos anos subsequentes. Observe que diversos fatores contribuíram para que a empresa de Antônio prosperasse, mas, depois, eles levaram-na à falência também. Uma vez que o governo incentivou o setor da construção civil, o negócio do Antônio teve uma maré de sorte e, por isso, cresceu. Todavia, como ele não tinha conhecimento sobre a influência do contexto econômico, não percebeu o risco e, sem planejamento, o seu negócio foi à ruína.

VOCÊ SABE RESPONDER?

Diante disso, quais os principais pontos que deveriam ser considerados por Antônio, caso ele tivesse pensado nas influências dos fatores externos ao seu negócio? Como Antônio poderia ter realizado um planejamento estratégico para os anos de prosperidade e, depois, preparando-se para as mudanças que ocorreram? Ao analisar os cenários econômicos, Antônio deveria ter considerado que a economia possui ciclos que vão da prosperidade à recessão? Além do contexto econômico interno do país, você acha que Antônio deveria ter se atentado, também, ao que estava acontecendo no cenário externo?

Você já parou para pensar que cenários de crise ou prosperidade da economia, tanto internos quanto internacionais, podem impactar o nosso cotidiano? Por exemplo, quando o governo eleva a taxa básica de juros para conter a inflação, os financiamentos ficam mais caros, o que desestimula o consumo, e, consequentemente, as empresas vendem menos, levando a altos estoques e a possíveis demissões.

REFLITA!

Menos pessoas trabalhando, o consumo agregado da economia se reduz ainda mais, levando a mais uma onda de demissões e, consecutivamente, ao aumento da concorrência no mercado de trabalho.

Outro exemplo é quando ocorre uma crise externa, em que a instabilidade no balanço de pagamentos se eleva e, ao mesmo tempo, as taxas de câmbio também. Uma vez que os investidores avessos aos riscos retiram seus investimentos do país, deixando a taxa de câmbio volátil, pode-se gerar elevações dos preços dos produtos internamente, já que grande parte dos produtos desenvolvidos no Brasil utiliza insumos importados. Além disso, um câmbio mais alto incentivará as exportações, deixando menos produtos circulando na economia nacional, o que, também, pode levar a um aumento dos preços internos.

Observe que nós, enquanto consumidores, trabalhadores e empresários, encontramo-nos neste ambiente e, por isso, somos impactados, direta ou indiretamente, por fatores externos, seja pelo aumento da taxa de juros do financiamento do carro novo, seja pela perda do emprego, seja pela falência de um negócio. Notavelmente, neste ambiente, encontramos aspectos positivos também, pois, quando a maré é boa, somos beneficiados. Isso significa que, quando as taxas de juros se reduzem, podemos ampliar o consumo e as empresas podem realizar investimentos e, também, contratar mais, já que, com uma taxa de juros baixa, a demanda se eleva.

Temos, entretanto, que saber que a economia possui ciclos e, quando atinge o ápice de crescimento, passamos por um período de recessão. Por isso, temos que aproveitar esse tempo de prosperidade para que, quando chegar a recessão, tenhamos mantimentos suficientes para passar por essa fase. Para isso, precisamos planejar as atividades pessoais ou empresariais de forma estratégica, avaliar, constantemente, as estratégias e saber quando mudar o curso dos negócios.

Pensando Juntos

Para realizar um planejamento, precisamos entender o contexto do negócio e definir um objetivo geral e as metas que almejamos alcançar. Desse modo, durante a execução desse plano, devemos analisar o que está saindo como o planejado e o que precisa ser ajustado, pois, ao fazer isso, considerando o contexto de mercado, podemos reduzir o risco de negócio.

A partir da história de Antônio, eu proponho a você resgatar o contexto histórico, conversando com seus pais, parentes ou amigos sobre o período de 2008 a 2014 .

  • Você ou alguém da sua família já participou do programa Minha Casa Minha Vida?
  • Você conhece alguém que conseguiu comprar um carro somente com RG e CPF, sem a necessidade de dar uma entrada para isso?
  • Você conhece alguém que ficou endividado, pois adquiriu imóveis e veículos ao mesmo tempo?
  • A partir da experiência de Antônio, o que devemos pensar ao estruturar um novo negócio?

Pois bem, quando compramos um bem ou imóvel a prazo, estamos antecipando um consumo futuro para o presente e, quando a economia, como um todo, faz isso de forma desordenada ou sem controle, tende a gerar um endividamento das famílias e das empresas, que, de forma agregada, pode gerar crises, como a que ocorreu no setor de imóveis dos EUA, em 2008. Por isso, precisamos entender e ter cautela quando estamos em um cenário como esse, pois a prosperidade demasiada pode nos levar a uma crise. Além disso, lembre-se de que havia muita gente comprando carro, pois o governo retirou o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), isto é, como o governo não produz nada, a sua arrecadação ocorre mediante os tributos, e, como as suas receitas caíram por causa dessas políticas e seus gastos aumentaram, por causa dos subsídios que vinham sendo oferecidos em outros setores, o resultado disso foi um aumento do endividamento do governo. Quando o governo se endivida, significa que nós pagamos a conta, por isso, temos que lembrar que o resultado sempre envolve aumento de impostos.

Por isso, precisamos entender e ter cautela quando estamos em um cenário como esse, pois a prosperidade demasiada pode nos levar a uma crise.

Para tomar decisões mais assertivas, quanto ao futuro da organização, é essencial conhecer o micro e o macroambientes de negócios. O microambiente constitui o cenário específico de operações em particular de cada negócio, em que há a entrada de insumo e o processamento do produto. Por sua vez, o macroambiente está relacionado a um contexto mais abrangente, que envolve as variáveis externas que interagem, de forma dinâmica, com a organização.

Microambiente

Cada empresa possui seu microambiente de forma específica, em que recursos são retirados e transformados em produtos/serviços. O microambiente, criado por um segmento próprio do ambiente geral, pode ser intitulado ambiente de operações da organização.

É o nicho em que a entidade se encontra e busca determinar o seu domínio, e o ponto em que estão seus mercados e dos quais o negócio obtém recursos transforma-os em produtos e os comercializa (CHIAVENATO, 2012).

Esse ambiente, que gera entradas de recursos e insumos e saídas de produtos/serviços, envolve concorrentes, fornecedores, clientes, consumidores e agências reguladoras. O microambiente organiza o cenário de operações específica e particular de forma mais próxima de cada negócio e é nele que a entidade adquire matéria-prima e insere os produtos/serviços. Todavia, como a entidade não está isolada ou sozinha no mundo, o microambiente oferta insumos e recursos e os clientes que garantem sua existência, entretanto, coloca a ele o desafio de um mercado concorrencial e a vigilância de agentes reguladores (CHIAVENATO, 2012), conforme apresentado na figura a seguir:

Figura 1 - Os componentes do microambiente.

Descrição: a figura apresenta um retângulo, representando o macroambiente, e, dentro
                                        dele, há um círculo, representando o microambiente. Dentro desse círculo, ao
                                        centro, há um outro menor, no qual está escrito “empresa”. Ligados a esse
                                        círculo menor, há os componentes do microambiente, que são: concorrentes,
                                        fornecedores, agências reguladoras e clientes/consumidores.

Fonte: Chiavenato (2012, p. 444).

Os concorrentes são os negócios que possuem rivalidade com relação aos mesmos fornecedores ou clientes, isto é, concorrem com as entradas de recursos e/ ou com as saídas de produtos/serviços da empresa. Conforme os seus produtos/ serviços ficam mais heterogêneos, mais complexa será a competitividade, pois diferenciados e heterogêneos serão os concorrentes (CHIAVENATO, 2012).

Os fornecedores são os responsáveis pelas entradas no sistema, isto é, são aqueles que fornecem insumos ou recursos para as empresas. Existem fornecedores de recursos matérias-primas, fornecedores de recursos financeiros (empréstimos, mercado financeiro, mercado de capitais, investimentos etc.), fornecedores de recursos tecnológicos (tecnologias, máquinas e equipamentos), fornecedores de recursos humanos etc. (CHIAVENATO, 2012). As ações dos fornecedores podem impactar a estratégia da organização, pois fornecem os insumos necessários à produção. Na ausência de serviços oportunos e adequados, o processo de produção pode atrasar, resultando em mais tempo de produção e menos vendas. Por exemplo, a estratégia de marketing da empresa é afetada em caso de aumento dos preços das matérias-primas, e isso levará um aumento dos preços do produto final.

Os clientes são os usuários ou consumidores que comto, é necessário manter uma ligação saudável com os fornecedores para obter vantagem competitiva sobre os concorrentes. Os clientes são os usuários ou consumidores que compram os produtos/serviços fabricados pela entidade e, por isso, os responsáveis pela aquisição das saídas do sistema. Conforme os produtos/serviços ficam mais heterogêneos, mais diferenciados e heterogêneos serão seus clientes, que são fundamentais para qualquer organização, pois contribuem para gerar receita, de forma a atrair mais clientes (CHIAVENATO, 2012). Assim, a estratégia de marketing deve ser focada na retenção de clientes existentes e na atração de clientes potenciais, a fim de satisfazer suas necessidades e preferências. O serviço pós-venda e os serviços de valor agregado, também, desempenham papel fundamental no aumento da base de clientes. Sobre os concorrentes, (CHIAVENATO, 2012) elabora:

As agências reguladoras, por sua vez, são organizações externas à empresa, responsáveis por regular alguns aspectos das operações do negócio, como os órgãos do governo, que são responsáveis por inspecionar, monitorar e controlar o trabalho das entidades, sendo elas: as organizações não governamentais (ONGs), os sindicatos, entre outros (CHIAVENATO, 2012).

O ambiente oferece oportunidades e recursos, mas, em contrapartida, traz consigo dificuldades e ameaças.

Portanto, o ambiente oferece oportunidades e recursos, mas, em contrapartida, traz consigo dificuldades e ameaças, pois, uma vez que disponibiliza clientes e fornecedores, estabelece concorrentes e entidades reguladoras que controlam o negócio. É neste ambiente de trabalho que estão os mercados a serem buscados e alcançados pela entidade (CHIAVENATO, 2012).

O negócio precisa estar aberto e atento ao que acontece em seu ambiente, de forma a perceber e interpretar as mudanças que ocorrem nele. Por causa desse ambiente mutável, Por causa desse ambiente mutáveo negócio precisa estar aberto e atento ao que acontece em seu ambiente, de forma a perceber e interpretar as mudanças que ocorrem nele, em particular no ambiente de trabalho. A complexidade dessas mudanças gera uma sensação de incerteza do empresário, assim, essa apresenta grande desafio na gestão dos negócios atuais (CHIAVENATO, 2012).

Macroambiente

O macroambiente de uma organização está relacionado a seus ambientes geral e externo, que impactam a forma de trabalho, o processo de tomada de decisão, a estratégia e o desempenho do negócio. Ele é dinâmico com tendência de mudança e possui fatores externos que uma entidade não pode controlar.

As variáveis que influenciam o ambiente geral são: culturais, sociais, demográficas, tecnológicas, legais, ecológicas, políticas e econômicas, e elas impactam todas as entidades, sem qualquer discriminação. Por isso, o macroambiente é denominado ambiente geral (CHIAVENATO, 2012).

Todas as referidas variáveis exercem influência recíproca em um ambiente geral. O macroambiente é comum a todos os negócios e a todas as empresas, afetando-os de maneira ampla, genérica e abrangente, isto é, ele impulsiona alguns, mas afeta, restritivamente, outros, conforme apresentado na figura a seguir:

Figura 2 - Variáveis que influenciam o ambiente geral (macroambiente).

 Descrição da imagem: a figura apresenta um retângulo e, dentro dele, há um círculo, representando o
                                        macroambiente e seus componentes, que são: variáveis econômicas, sociais,
                                        legais,
                                        políticas, tecnológicas, culturais, ecológicas e demográficas. Dentro desse
                                        círculo, ao
                                        centro, há um outro menor, no qual está escrito “empresa”.

Fonte: Chiavenato (2012, p. 43).

As variáveis culturais, por exemplo, envolvem os aspectos culturais da sociedade, como estilo de vida, valores culturais, expectativas da população, arte, arquitetura etc. As forças culturais estão ligadas a fatores que afetam os valores básicos da sociedade, como preferências e comportamento. A base para esses fatores é formada pelo fato de as pessoas fazerem parte de uma sociedade e de um grupo cultural que moldam suas crenças e valores, por exemplo: uma empresa, ao entrar em um mercado externo, pode incorrer em muitos erros culturais, devido a seu fracasso em compreender uma cultura estrangeira.

As variáveis sociais envolvem os aspectos característicos da sociedade , como nível de educação e emprego, saúde, segurança e bem-estar, previdência social e itens afins, e eles determinam os hábitos de compra e as necessidades dos indivíduos a serem satisfeitas (CHIAVENATO, 2012).

As variáveis demográficas referem-se às migrações, ao perfil etário da população, às características de densidade populacional, à distribuição geográfica etc. Uma organização deve estudar os aspectos demográficos, antes de escolher sua estratégia de inserção neste mercado, pois cada população age de forma diferente, de acordo com série de fatores, como idade, status e assim por diante. Se essas variáveis forem medidas, uma empresa pode vender produtos de forma direcionada às necessidades dos compradores. Em relação às variáveis tecnológicas, cada empresa emprega e cria a sua própria tecnologia e todas elas estão envolvidas em um trabalho de desenvolvimento contínuo de novas formas e processos, de novas máquinas, equipamentos e instalações etc., o que leva à mudança e à inovação.

O desenvolvimento tecnológico impulsiona negócios e funciona como alavanca para novas necessidades do mercado (CHIAVENATO, 2012). As variáveis legais envolvem o conjunto de leis e normas que regula as atividades dos negócios, seja em uma cidade, estado, país ou vários países, que devem ser obedecidas pelas empresas. Por exemplo, certa vez, um aluno de uma disciplina de empreendedorismo quis abrir seu próprio negócio e fez uma parceria com alguns colegas. Dessa forma, estudaram um local estratégico e alugaram um imóvel, reformaram-no e o adaptaram para atender seus clientes, porém, quando foram fazer o alvará na prefeitura, não conseguiram, pois não poderiam abrir aquele tipo de negócio naquela área da cidade.

REFLITA!

Perceba que, ao pensar em abrir determinado negócio em um local onde não há concorrentes, nem sempre é uma ideia brilhante, uma vez que pode haver uma razão legal para isso.

As variáveis ecológicas ou naturais, como água, terra, clima etc., no macroambiente, são importantes, uma vez que se referem aos recursos naturais de cada região. Como as preocupações ambientais têm crescido fortemente nos últimos anos, as variáveis ecológicas são um fator crucial a ser considerado. A instalação de uma empresa pode levar à poluição ambiental e à destruição desses recursos, o que pode não ser bem-visto pela comunidade em geral (CHIAVENATO, 2012).

Todo negócio é limitado pelo ambiente político, e isso envolve leis, agências governamentais e grupos de pressão, que influenciam e restringem organizações e indivíduos em uma sociedade. Assim, as empresas são influenciadas pelo clima político de um país ou região e pelas estratégias dos governos municipal, estadual e federal (CHIAVENATO, 2012).

As variáveis econômicas, como renda, taxa de juros, inflação e balança comercial, são importantes para qualquer negócio, uma vez que constituem indicadores da situação econômica do ambiente (CHIAVENATO, 2012). Em geral, o aquecimento de uma economia gera crescimento e oportunidades de negócio, e, por sua vez, o desaquecimento econômico reduz as vendas e as margens de lucro. Em ambos os casos, a empresa precisa lidar com o mercado competitivo como um desafio a mais nesse contexto.

As variáveis econômicas que influenciam o macroambiente estão relacionadas a fatores que afetam o poder de compra do consumidor e os padrões de gastos. Por exemplo, uma empresa nunca deve começar a exportar para um país antes de ter examinado o quanto as pessoas poderão gastar. Sendo assim, os critérios importantes são:

  • Produto Interno Bruto (PIB);
  • taxa de crescimento real do PIB;
  • taxa de imposto de importação e imposto sobre vendas;
  • desemprego;
  • inflação;
  • renda pessoal disponível;
  • padrões de gastos.

Panorama econômico de mercado

O panorama econômico de mercado envolve a micro e a macroeconomias. Na microeconomia , estudam-se os aspectos relacionados à demanda, à oferta e às influências das políticas econômicas no contexto empresarial. Para isso, é essencial entendermos o contexto de mercado em que estamos e as expectativas dos agentes econômicos de forma individual, isto é, no contexto microeconômico. O contexto macroeconômico , por sua vez, envolve aspectos mais abrangentes, que podem impactar as expectativas dos agentes econômicos na economia de forma agregada.

A pandemia da Covid-19, por exemplo, resultou em altos e crescentes custos humanos em todo o mundo, e as medidas de proteção necessárias (políticas macroeconômicas) afetaram, severamente, a atividade econômica, isto é, o contexto das empresas e dos agentes econômicos (nível microeconômico). Pensando nisso, a Apple, que, normalmente, lança seus novos iPhones no final de setembro, mudou de estratégia em 2020 por causa da pandemia da Covid-19, que desacelerou a sua cadeia de suprimentos e a forçou a ajustar sua forma de trabalho, que, até então, era presencial, para o emprego remoto. “Luca Maestri, vice-presidente sênior e diretor financeiro da Apple, disse na última teleconferência de resultados da empresa que espera que o fornecimento do próximo iPhone chegue ‘algumas semanas depois’” do que o de 2019 (EADICICCO, 2020, online).

Observe que essas mudanças foram necessárias para adequar a empresa a um novo cenário, que, até no início de 2020, não era esperado, e esses ajustes só foram possíveis porque a Apple conhece a forma que o consumidor toma decisões (aspectos microeconômicos) e os impactos das questões macroeconômicas nos negócios.

Aspectos microeconômicos

Para entendermos o contexto da empresa no mercado para realizarmos uma estimativa de demanda, precisamos compreender os aspectos microeconômicos, os quais envolvem as leis da demanda e da oferta e as estruturas do mercado, como:

  • monopólio;
  • concorrência perfeita;
  • concorrência monopolística.

A lei da demanda trata de uma relação inversa entre o preço e a quantidade demandada: uma vez que o preço cai, os consumidores passam a consumir mais, e o contrário, também, é verdadeiro, quando o preço se eleva, a quantidade consumida se reduz (HUBBARD; O’BRIEN, 2010).

Isso acontece porque os recursos são limitados e, por isso, os indivíduos buscarão maximizar a sua utilidade, comprando maior número de bens possível, mediante os recursos disponíveis.

Notavelmente, há aqueles bens de consumo saciado, em que o preço cai e o consumidor eleva a quantidade até determinado nível, como a farinha de trigo, a energia etc. Por sua vez, há aqueles bens em que o preço se eleva, mas a quantidade demandada não cai na mesma proporção que o aumento de preço, como o consumo de água e energia e os bens de primeira necessidade. Além disso, há aqueles bens em que a quantidade de demanda varia, mas há uma mudança de preços, como os bens supérfluos. Isto quer dizer que, em um cenário de crise, por exemplo, em que o preço do produto supérfluo se eleva, a quantidade demandada cai numa proporção maior que a elevação do preço, fato esse conhecido como elasticidade da demanda.


Neste contexto, as alterações na demanda ocorrem por causa do efeito substituição e do efeito renda. O efeito substituição está relacionado à variação no preço de um bem em comparação com outro bem substituto, por exemplo: se o preço de uma marca de sabão em pó aumenta, as pessoas tendem a substituir essa marca por outra similar. O efeito renda, por sua vez, está relacionado ao preço e ao poder de compra dos indivíduos. O poder de compra é a quantidade de bens que um indivíduo consome dada a sua renda, ou seja, se o preço de um bem cai, o maior poder aquisitivo dos indivíduos leva à maior aquisição de tal bem e, se o preço sobe, a quantidade comprada diminui, já que ocorre perda do poder aquisitivo (HUBBARD; O’BRIEN, 2010).

O poder de compra é a quantidade de bens que um indivíduo consome dada a sua renda, ou seja, se o preço de um bem cai, o maior poder aquisitivo dos indivíduos leva à maior aquisição de tal bem e, se o preço sobe, a quantidade comprada diminui, já que ocorre perda do poder aquisitivo (HUBBARD; O’BRIEN, 2010). Um exemplo disso é quando há um aumento de preços decorrente de uma inflação, em que o preço dos bens sobe, mas a renda permanece constante, o que significa que aquele trabalhador terá que reduzir a sua cesta de bens, ou substituir os itens por bens inferiores, isto é, trocar a carne de primeira pela carne de segunda, por exemplo. Nesse contexto, há uma diversidade de variáveis que podem influenciar a demanda de mercado, como: renda, preço dos bens substitutos, gostos, expectativas de preços futuros, entre outros (HUBBARD; O’BRIEN, 2010).

Quando há um aumento de preços decorrente de uma inflação, em que o preço dos bens sobe, mas a renda permanece constante(...)

Em contrapartida, da mesma forma que algumas variáveis influenciam a demanda, existem aquelas que influenciam como as empresas venderem um bem ou serviço. A mais importante delas é o preço, uma vez que a quantidade de um bem ou serviço que uma empresa está disposta a ofertar no mercado depende o preço. Assim, se todas as outras variáveis manterem constante um aumento no preço, a empresa aumentará a quantidade ofertada, e, se manterem uma redução no preço, essa quantidade será diminuída (HUBBARD; O’BRIEN, 2010).

Perceba que a quantidade que as empresas estão dispostas a ofertar no mercado possui uma variação positiva com relação ao preço de venda. Nessa perspectiva, as variáveis que alteram a oferta são: preço dos insumos, mudanças tecnológicas, preço dos bens substitutos de produção, número de empresas no mercado e preços futuros esperados (HUBBARD; O’BRIEN, 2010). Observe que temos dois comportamentos, o dos consumidores, que possuem uma relação inversa ao preço, e o dos produtores, que possuem reação positiva em relação ao preço.

Nesse jogo, onde o consumidor quer pagar o menor valor possível e o empresário, vender a um preço elevado, temos o equilíbrio de mercado, em que a oferta é igual à demanda, isto é, há um número de compradores e vendedores disponíveis a demandar e ofertar a quantidade de equilíbrio a determinado preço. Esse equilíbrio será determinado pelas variáveis que influenciam na demanda e na oferta e pelas estruturas de mercado relacionadas à concorrência.Vejamos a seguir as diferenças entre o mercado monopolista e oligopolista.

Em um mercado monopolista , por exemplo, normalmente, o preço acaba sendo mais alto, pois há, apenas, um vendedor, o qual tem o poder de influenciar o preço no mercado. No mercado de concorrência perfeita , há inúmeros vendedores, e nenhum consegue influenciar o preço, uma vez que os produtos são homogêneos, como, por exemplo, as commodities (soja, milho, trigo e petróleo).

No mercado oligopolista, há, apenas, alguns vendedores, em que os preços de mercado ficam entre um monopólio e um mercado concorrencial, e a estratégia de cada um dos vendedores influencia as vendas dos demais. Se os ofertantes possuírem uma estratégia de venda muito agressiva, todos farão o mesmo e o lucro deles se reduzirão, mas se atuarem em cooperação, o lucro desse mercado será maior. Como, na prática, a cooperação é proibida, cada um desenvolve a sua estratégia, de forma que não influencie, significativamente, na estratégia dos concorrentes. Um exemplo de mercado oligopolista é o de linhas de telefonia móvel.

Além desses mercados, existe o de concorrência monopolística, com estrutura de concorrência e de monopólio. Concorrência, pois há inúmeros vendedores, e monopólio, devido à diferenciação dos produtos, por exemplo: pasta de dente, refrigerantes, chocolates, produtos de limpeza em geral, entre outros. Assim, as diferenças de preços ocorrem por causa do diferencial na qualidade e na marca dos produtos. Normalmente, grande parte das empresas estão no mercado de concorrência monopolística, em que há pequenas variações de preços, decorrentes da diferenciação dos produtos e da estratégia de marketing, com a finalidade de fortalecer a marca.Portanto, quando pensamos em entrar em um novo negócio, é necessário levar em consideração os aspectos relacionados à demanda, pois o consumidor é racional e, normalmente, optará por comprar duas peras em

vez de uma maçã, por causa do preço, e ter em mente a característica desse mercado, isto é, monopolista, concorrencial ou oligopolista. A partir da estimação da quantidade vendida é que se delineia todo um negócio, isto é, para determinar a quantidade produzida, os custos e os investimentos, o primeiro passo é estimar o quanto se espera vender, considerando as estruturas de mercado e o comportamento do seu público-alvo nesse contexto.
Pois bem, agora que compreendemos o contexto microeconômico, isto é, os mercados, de forma individual, onde existem famílias e empresas que interagem pela demanda e oferta de bens e serviços de acordo com a estrutura de mercado, entenderemos como os aspectos macroeconômicos, que trabalham os mercados de forma agregada, influenciam as expectativas e as tomadas de decisões dos agentes na economia como um todo.

Aspectos macroeconômicos

A macroeconomia estuda fenômenos que abrangem toda a economia, como nível de preços, inflação, crescimento econômico, Produto Interno Bruto, renda nacional e desemprego, a partir de questionamentos, como: o que causa crescimento econômico? O que gera inflação e desemprego? Assim, a macroeconomia é o estudo que busca explicar esses fenômenos.

Em um contexto mais amplo, a macroeconomia busca explicar o crescimento econômico de longo prazo e os ciclos de negócios de curto prazo, de forma a compreender os fatores que promovem ou retardam o crescimento econômico, a fim de apoiar políticas econômicas que darão suporte ao desenvolvimento, ao progresso e à elevação dos padrões de vida. Além disso, busca compreender os ciclos econômicos, que envolvem os níveis e as taxas de variação das principais variáveis macroeconômicas, como emprego e produção nacional, que passam por flutuações ocasionais para cima ou para baixo, com expansões e recessões, como, por exemplo, a crise financeira, em 2008.

Nesse contexto, nós, enquanto tomadores de decisões no ambiente empresarial, precisamos entender como os fenômenos macroeconômicos influenciam o contexto dos negócios a nível agregado. Diante disso, temos os bancos centrais e os governos interferindo no contexto dos negócios e tomando decisões como forma de promover o crescimento econômico, amenizar ou potencializar os efeitos dos ciclos econômicos, a partir de políticas, monetárias (aumento ou redução da taxa de juros) e fiscais (aumento ou redução dos gastos do governo e impostos).

NOVOS DESAFIOS

Neste tema de aprendizagem conhecemos o microambiente e macroambientes de negócios, onde o microambiente é criado por um segmento próprio do ambiente geral e pode ser intitulado ambiente de operações da organização, e o macroambiente já está relacionado a seus ambientes geral e externo, que impactam a forma de trabalho, no processo de tomada de decisão, na estratégia e desempenho do negócio.

Foi apresentado também um panorama econômico de mercado, no qual envolve a micro e a macroeconomias. Na microeconomia, estudam-se os aspectos relacionados à demanda, à oferta e às influências das políticas econômicas no contexto empresarial. O contexto macroeconômico, por sua vez, envolve aspectos mais abrangentes, que podem impactar as expectativas dos agentes econômicos na economia de forma agregada.

Até o próximo tema de estudos!

REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, I. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor. 4. ed. Barueri: Manole, 2012.

EADICICCO, L. Apple’s iPhone 12 is expected to debut today with a new design, 5G, and 3D cameras.

Here’s everything we know about it. Business Insider . 13 out. 2020. Disponível em: https://www. businessinsider.com/appleiphone12rumors5greleasecameraspecs20196?r=US&IR=T. Acesso em: 22 abr. 2022.

FARAH, O. E.; CAVALCANTI, M.; MARCONDES, L. P. Empreendedorismo Estratégia de Sobrevivência para Pequenas Empresas . São Paulo: Saraiva, 2018.

HUBBARD, R. G.; O’BRIEN, A. P. Introdução à economia. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.

INVESTOPEDIA. Economic Cycle . 3 fev. 2022. Disponível em: https://www.investopedia.com/ terms/e/economiccycle.asp#:~:text=The%20economic%20cycle%20is%20the,stage%20of%20 the%20economic%20cycle. Acesso em: 22 abr. 2022.