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MINHAS METAS
  • Conhecer estratégias de marketing e localização;
  • Conceitualizar os 4P’s de marketing;
  • Analisar a importância de confeccionar uma política de preços efetiva;
  • Apresentar os fatores que podem mudar a percepção do valor do seu produto/serviço em relação aos clientes.

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Este tema de aprendizagem é uma continuação do anterior, mas neste os assuntos são mais estratégico e ajudarão nas tomadas de decisões dos donos de empresa, gerentes, coordenadora, etc. Estudaremos a estratégia de marketing e a localização de negócios de acordo com o público-alvo identificado. Por fim, compreenderemos a importância de delinear uma política de preços efetiva.

DESENVOLVA O SEU POTENCIAL

Estratégia de marketing e localização

Uma estratégia de marketing se refere ao plano geral de uma empresa para alcançar consumidores em potencial e transformá-los em clientes dos produtos/serviços que a empresa oferece. Uma estratégia de marketing contém a proposta de valor da empresa, as principais mensagens da marca, os dados sobre a demografia do cliente-alvo, entre outros elementos de alto nível. A estratégia de marketing informa o plano de marketing, que é um documento que detalha os tipos específicos de atividades de marketing que uma empresa realiza e contém cronogramas para a implementação de várias iniciativas de marketing (BARONE, 2021).

O ideal é que as estratégias de marketing tenham uma vida útil mais longa do que os planos de marketing individuais, porque contêm propostas de valor e outros elementos-chave da marca de uma empresa, que, geralmente, são consistentes no longo prazo. Em outras palavras, as estratégias de marketing cobrem mensagens de grande porte, enquanto os planos de marketing delineiam os detalhes logísticos de campanhas específicas (BARONE, 2021).

Assim, as estratégias de marketing são formas e métodos que um negócio deverá empregar para atingir seus objetivos, e elas, geralmente, referem-se aos 4Ps (composto de marketing), que envolvem: “produto, preço, praça (canais de distribuição) e propaganda/comunicação” (DORNELAS, 2018, p. 153). Nesta perspectiva, a empresa pode utilizar estratégias específicas e atuar sobre os 4Ps, a fim de obter melhor resultado em relação a seus competidores.

A projeção de receitas da empresa está ligada, diretamente, “à estratégia de marketing estabelecida, pois depende de como o produto será posicionado no mercado, qual será sua política de preços, as promoções e os canais de venda que serão utilizados e, ainda, como o produto chegará ao cliente” (DORNELAS, 2018, p. 154), conforme podemos observar na figura a seguir:

Figura 1 - 4Ps: composto de marketing.

Fonte: adaptada de Dornelas (2018).

Descrição da Imagem : a figura apresenta o composto de marketing, em que o produto está relacionado à promoção de mudanças, às padronizações e às diversificações; o preço, aos prazos de pagamento e às políticas de atuação no mercado e de descontos especiais; a praça, aos canais de distribuição, a fim de otimizar a logística com melhores prazos de entrega; e a propaganda está relacionada às novas formas de vendas, à publicidade, às feiras e exposições bem como à equipe e aos canais de vendas.

Observe que, para definir a estratégia de negócios atuando sobre o composto de marketing, é necessário definir, antecipadamente, os objetivos de marketing relacionados à seguinte questão: aonde a empresa quer chegar? De forma mais específica: “qual participação de mercado a empresa quer atingir, quanto quer vender, quanto quer lucrar, em quais segmentos e regiões, com que penetração de mercado, para quais consumidores e em qual prazo de objetivos” (DORNELAS, 2018, p. 154).

O autor salienta que o prazo de objetivos deve ser bem detalhado e exemplificado, apresentando as características que devem estar presentes quando se define um objetivo estratégico e, também, as estratégias que a entidade pode utilizar. Neste contexto, posicionar o produto no mercado representa direcioná-lo para atender às necessidades e às expectativas do público-alvo escolhido, na parcela de mercado definida.Para Dornelas (2018) temos que:

“Com isso, a empresa estabelece uma imagem do produto junto aos clientes, tentando se diferenciar, de alguma forma, da concorrência. Isso pode ser feito pela criação de variações de produto, opcionais, acessórios, kit completo, peças individuais etc.” (DORNELAS, 2018, p. 155).

Muitas companhias aéreas se posicionaram, como alternativa de baixo custo para o consumidor, com a venda de passagens econômicas, em que não inclui o serviço de bordo. Nesse caso, a empresa se posiciona como alternativa mais econômica para o consumidor que estará inteirado disso (DORNELAS, 2018). O preço pode ser a forma mais tangível de atuar no mercado, uma vez que, a partir da política de preços, pode-se segmentar o mercado, criar demanda para o produto, definir a lucratividade do negócio e alterar a forma de penetração do produto no mercado, empregando como referência o valor do produto sob a perspectiva do consumidor, e não o preço que a entidade acredita que ele deva ter.

“Um erro que muitos empreendedores cometem é dizer e disseminar a ideia de que seus produtos são os de melhor qualidade ao menor preço do mercado. Alta qualidade e preço baixo normalmente são difíceis de encontrar em um mesmo produto, com raríssimas exceções” (DORNELAS, 2018, p. 155).

A estratégia de preços que a empresa emprega para seus produtos interfere, de forma direta, na imagem deles no mercado e no segmento que irá adquiri-los. Diante disso, a empresa deve determinar seu objetivo de mercado e definir como agirá em relação à concorrência. Se o mercado alvo selecionado tiver, como característica, a concorrência, literalmente, com relação a preços, a entidade deverá ser mais eficiente, de forma a colocar o seu produto com o preço menor nesse mercado.

“Por outro lado, se o diferencial for qualidade, o fator “preço” não será o grande incentivador das vendas, mas a forma como o produto irá exceder as expectativas do cliente, que, nesse caso, é muito mais exigente” (DORNELAS, 2018, p. 155).

Colocar um preço abaixo do mercado, quando um produto for lançado, é uma estratégia que visa conquistar clientes rapidamente e, após a promoção inicial, eleva-se o preço de forma gradual. Essa prática é muito comum em diversos mercados, mas, se houver regras nesse jogo, elas devem estar claras, para que o cliente não deixe de adquirir o produto após essa fase inicial.

Outras estratégias empregadas por diversas entidades são a do tipo “leve 3 e pague 2” e aquela em que o indivíduo pode parcelar a compra em 3 ou até 12 meses ou mais.

“Para a definição da estratégia de preços mais adequada, a utilização dos resultados da análise de mercado, na qual se identificam as características, o comportamento e os anseios do consumidor, deve ser considerada uma premissa básica” (DORNELAS, 2018, p. 156).

Os canais de distribuição, por sua vez, envolvem as formas diferentes que o negócio pode empregar para levar o produto até o cliente. Referem-se aos canais de marketing, à distribuição física e aos serviços ao cliente. A entidade pode vender seus produtos, de forma direta, ao cliente final ou empregar distribuidores ou atacadistas para fazê-lo (DORNELAS, 2018). Na venda direta, o vendedor e o consumidor interagem pessoalmente. Ao empregar distribuidores ou atacadistas, a venda é caracterizada como indireta.

Existem outras formas intermediárias que a entidade pode empregar no processo de venda, como catálogos, telemarketing, mala direta e Internet, que são formas de venda sem contato direto entre o consumidor e o vendedor (DORNELAS, 2018). Os atributos do produto/serviço interferem, de forma direta, nos canais de distribuição a serem empregados pela entidade. “Bens de consumo imediato geralmente são disponibilizados ao consumidor via varejistas ou distribuidores e atacadistas. Já os bens de capital de grande porte, os bens de maior valor agregado, utilizam venda direta por meio de uma equipe de vendas” (DORNELAS, 2018, p. 156).

Pode-se, ainda, mesclar uma diversidade de canais de distribuição para produtos semelhantes, como os de bens de consumo duráveis, matérias-primas, bens de capital, entre outros (DORNELAS, 2018). O autor, ainda, salienta que, também, devem ser considerados, para definir os canais de distribuição mais adequados, aspectos, como: localização dos depósitos, características de armazenagem, embalagem do produto e meios de transporte empregados para levar o produto até o consumidor.

Apesar do ritmo cada vez maior da tecnologia e da empresa digital, quase sempre haverá uma necessidade de presença física, seja para hospedar sua equipe, armazenar estoque em um depósito seguro ou fornecer uma presença física de marca para seus clientes. Há muitas coisas a se considerar ao escolher um local para seu empreendimento, seja para abrir um escritório ou uma loja pela primeira vez, seja para expandir o negócio existente para novas áreas.

Neste aspecto, o sucesso do negócio pode estar relacionado à questão da localização, por exemplo: você pode ter o produto ou o serviço mais excepcional do mundo, mas, se estiver localizado no meio do nada, não ganhará muito dinheiro.

REFLITA

É por isso que você deve realizar uma análise do local da empresa. Nesta perspectiva, quanto mais próxima a empresa estiver de seus clientes, maior será a chance de eles comprarem dela novamente. Quem são os clientes e onde estão localizados? Eles são outras empresas de manufatura? Ou são consumidores finais? A empresa deve ter respostas para essas perguntas antes de escolher o local.

“O critério principal é instalar o negócio perto de seus recursos mais escassos e necessários. Ao contrário do que o senso comum indica, nem sempre o mercado é o recurso mais importante ou escasso dependendo do tipo de negócio” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 148), pois, dependendo do tipo de negócio, é mais essencial estar perto do fornecedor do que do mercado consumidor, como forma de reduzir custos de produção, por exemplo: no caso de uma usina de açúcar.

Assim, se o negócio fabrica produtos manufaturados, a empresa precisará de boa localização para o início de uma empresa. Desse modo, é necessário considerar boa proximidade com os fornecedores, a fim de minimizar os custos de logística. Por sua vez, uma empresa de tecnologia deve estar perto de seu capital intelectual, como, por exemplo: próxima às universidades.Para Hashimoto e Borges (2020) temos que:

De certa forma, todos os aspectos devem ser considerados em conjunto na hora de escolher o local: Existem incentivos fiscais na região? Existe mão de obra qualificada? Existe uma infraestrutura mínima básica? É fácil receber matéria-prima e insumos? Há potencial de alto crescimento? É fácil desenvolver uma rede de possíveis fornecedores? Existem concorrentes diretos próximos? Existem quaisquer barreiras ou incentivos legais para o seu tipo de negócio? A comunidade local vai aceitar o seu tipo de negócio? Os serviços públicos têm boa qualidade? (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 148).

Além disso, como, normalmente, a empresa possui limitação de recursos, é essencial saber: qual é o orçamento de aluguel? Por exemplo: fazer doces exige sempre uma excelente localização na cidade. No entanto uma localização mais central significa aluguel mais alto. A empresa tem recursos para um aluguel caro? Nesta perspectiva, essas despesas precisam ser calculadas.

A demografia é, também, um dos fatores essenciais a se considerar ao escolher um local de negócios. É importante estar perto do grupo de cliente-salvo. Por exemplo, a empresa não quer vender consoles de jogos em uma área habitada por pessoas mais velhas. As vendas serão maiores em uma área densa com seu mercado-alvo. Uma boa infraestrutura para o desenvolvimento de negócios está relacionada ao fornecimento de energia e água bem como a boas conexões rodoviárias.A falta de vagas de estacionamento suficientes para seus funcionários ou

de acessibilidade para pessoas com deficiência pode ser um problema em alguns locais. Uma boa localização para negócios, geralmente, não é em uma área movimentada da cidade, pois ninguém quer que seus funcionários passem horas no trânsito para chegar ao trabalho. Portanto, escolha um local que não cause problemas nas rotinas e nas tarefas diárias. Por fim, com relação ao plano de propaganda, existem três fatores que devem ser considerados: as pessoas envolvidas, as promoções e a propaganda.

“A quantidade de pessoas e suas qualificações vão depender dos canais de distribuição escolhidos. Se a opção for a venda direta, o efetivo de vendas deverá ser muito maior que em qualquer outro caso” (DORNELAS, 2018, p. 157).

A propaganda tem a finalidade de fazer com que uma mensagem chegue ao público-alvo, com o objetivo de informar, persuadir e reforçar o conceito do produto, junto aos clientes. A propaganda pode ser realizada por meio de vários veículos de comunicação, a seleção de cada dependerá do público-alvo que se almeja atingir (DORNELAS, 2018). Além disso, em cada veículo de comunicação, é possível segmentar o público-alvo, enfocando a audiência e

optando por horários específicos, dias da semana e épocas do ano, como Natal, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais etc. Por exemplo, uma campanha publicitária realizada na TV, para o lançamento de um novo brinquedo, deve ser transmitida quando as crianças estão assistindo aos programas infantis, isto é, durante o dia.

“A publicidade não é utilizada necessariamente para vender o produto ao consumidor final. Também pode ser usada para divulgar a empresa e seus produtos, com intuito informativo e não comercial, para públicos distintos” (DORNELAS, 2018, p. 157).

Os veículos de comunicação comumente utilizados são rádio, televisão, internet, mala direta, outdoors, panfletos e brindes, displays em pontos de venda, patrocínios a eventos, anúncios em ônibus, participação em feiras, anúncios em jornais/revista e em guias setoriais, entre outros.

Para que a empresa otimize o capital investido, uma vez que os custos com propaganda são altos, é essencial a escolha dos veículos adequados, na medida e na periodicidade certas (DORNELAS, 2018). A propaganda, ainda, pode destruir um produto, e o empreendedor deve prestar atenção a isso. Por exemplo:

“a empresa pode anunciar o produto em televisão, que tem um alcance considerável, e não estar preparada para produzir a quantidade necessária para atender à demanda gerada, levando o consumidor a optar pelo produto concorrente” (DORNELAS, 2018, p. 157).

As promoções, também, auxiliam no estímulo à venda de produtos e são bastante utilizadas para se desfazer do estoque de produto, no lançamento de novos produtos no mercado. Além disso, elas podem promover a recompra, elevar o montante de vendas no curto prazo, retirar modelos antigos do produto e impedir o aumento das vendas do concorrente.

Portanto, as promoções têm como finalidade disponibilizar um benefício adicional ao cliente, como desconto, produto extra e brinde. As palavras mais empregadas na campanha deverão ser: grátis, loucura, pechincha, ganhe, economize, imperdível, aproveite, entre outras.

Aprofundando

Usar, de forma eficaz, as estratégias de marketing com base na localização para o seu negócio pode ser um dos segredos de uma excelente estratégia de marketing, já que você poderá chegar à pessoa certa, na hora certa, no lugar certo, com a mensagem certa. Se você errar em alguma parte (chegar à pessoa certa, na hora certa, no lugar certo, com a mensagem certa), seus anúncios terão um desempenho inferior. Acertar essas quatro coisas é a única forma de assegurar o sucesso.

Para marcas atingirem seu público no lugar certo, é necessário identificar a localização física e como os clientes estão acessando as informações na internet, isto é, qual plataforma estão usando para obter essas informações. Nesta perspectiva, o marketing com base na localização promove a empresa para as pessoas por meio do contexto de sua localização, isto é, contabiliza o local em que uma pessoa está, a razão de ela estar nele, o local para o qual pode ir em seguida e os locais em que é mais provável ela se envolver com sua empresa.

O marketing baseado na localização é uma ferramenta valiosa para as empresas. Com os consumidores gastando mais tempo, diariamente, em dispositivos móveis, a publicidade baseada em localização é uma estratégia de marketing inteligente, pois pode gerar mais negócios, facilitar a segmentação e trazer melhor retorno por meio de maior engajamento das promoções com seu público-alvo.

Política de preços

A análise de mercado deve permitir ao empreendedor estabelecer o preço e criar uma previsão de vendas para atender melhor ao cliente em potencial. Nesta perspectiva, pensar sobre o preço é essencial, uma vez que se deve garantir que ele seja superior ao custo de produção e à entrega do produto/serviço. Mas, além disso, deve-se pensar na mensagem que o preço passa aos consumidores.

Da aparência do negócio ao logotipo e à experiência de atendimento ao cliente, preços altos devem vir com uma experiência de alta qualidade

Mas, se a empresa está precificando assim, é necessário ter certeza de que o resto do seu marketing, também, está sinalizando que ela está entregando um produto ou serviço de alta qualidade. Da aparência do negócio ao logotipo e à experiência de atendimento ao cliente, preços altos devem vir com uma experiência de alta qualidade durante todo o processo de vendas. Em uma outra extremidade, a empresa pode estar competindo como alternativa de baixo preço para outros produtos ou negócios. Se for esse o caso, certifique-se de que o marketing e as outras mensagens, também, estejam transmitindo a mesma mensagem unificada. Assim, a “política de precificação é um dos fatores mais importantes do negócio, pois pode influenciar uma série de fatores críticos de sucesso” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 151).

Pensando Juntos

Vamos refletir: Depois de ter uma ideia de seu preço, chega-se o momento de pensar em quanto espera-se vender, e a pesquisa setorial de mercado será a base para isso. Por exemplo, se você está abrindo um novo tipo de loja de conveniência, você vai querer saber quanto as pessoas gastam com mantimentos em sua área. Então, sua previsão deve refletir uma parte realista desse gasto total. Provavelmente, não é realista ganhar 50% do mercado no primeiro ano.

Não cometa, no entanto, o erro de presumir que a empresa pode, facilmente, obter 1% de um mercado muito grande. 1% de um mercado de 2 bilhões de reais, ainda, é R$ 20 milhões e, mesmo que 1% pareça um número pequeno e alcançável, a empresa precisa entender e explicar como ela, realmente, adquirirá esse volume de clientes. Ao criar a previsão, use-a como meta para o negócio e acompanhe as vendas reais em comparação com o que se esperava vender. Isso pode ser feito usando uma planilha, para monitorar seu progresso, o que o(a) ajudará a ajustar sua estratégia de negócios rapidamente, para que possa fazer mais do que está funcionando e menos do que não.

Vamos refletir: Depois de ter uma ideia de seu preço, chega-se o momento de pensar em quanto espera-se vender, e a pesquisa setorial de mercado será a base para isso. Por exemplo, se você está abrindo um novo tipo de loja de conveniência, você vai querer saber quanto as pessoas gastam com mantimentos em sua área. Então, sua previsão deve refletir uma parte realista desse gasto total. Provavelmente, não é realista ganhar 50% do mercado no primeiro ano.

Não cometa, no entanto, o erro de presumir que a empresa pode, facilmente, obter 1% de um mercado muito grande. 1% de um mercado de 2 bilhões de reais, ainda, é R$ 20 milhões e, mesmo que 1% pareça um número pequeno e alcançável, a empresa precisa entender e explicar como ela, realmente, adquirirá esse volume de clientes. Ao criar a previsão, use-a como meta para o negócio e acompanhe as vendas reais em comparação com o que se esperava vender. Isso pode ser feito usando uma planilha, para monitorar seu progresso, o que o(a) ajudará a ajustar sua estratégia de negócios rapidamente, para que possa fazer mais do que está funcionando e menos do que não.

Perceba que a estratégia de preços envolve um conjunto de ações planejadas para que o preço seja competitivo, esteja no valor que o mercado aceita pagar e consiga ser razoável na relação do custo-benefício do produto ou serviço (HASHIMOTO; BORGES, 2020), pois a quantidade vendida pode elevar-se ou reduzir-se, dependendo da política de preços adotada, além de haver, consequentemente, um aumento ou redução da receita total e da lucratividade.

Assim, como a participação no mercado está diretamente relacionada com as vendas, ela também pode ser influenciada pelo preço (HASHIMOTO; BORGES, 2020). Neste contexto, os autores salientam que um baixo poder de barganha com clientes e fornecedores limita a margem de manobra de preços, o que resulta em perda de competitividade. A imagem do negócio, perante o cliente, também pode ser interferida pelo preço. Em contrapartida, também há uma diversidade de outros fatores que pode influenciar o preço, como:

“o custo dos produtos vendidos ou da matéria-prima é o principal deles, mas o nível de demanda esperada para o produto ou serviço também influencia a precificação” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 151).

A noção de valor do cliente e das ações dos competidores podem levar a mudanças nos preços e nas margens de lucro esperadas. Nesta perspectiva, a precificação pode ser realizada a partir de “um nivelamento de baixo para cima, de cima para baixo e pela média. O nivelamento de baixo para cima estabelece que o preço mínimo deve, pelo menos, cobrir os custos e as despesas” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 151). A abordagem de cima para baixo determina que o preço máximo não pode ultrapassar a noção de valor do consumidor, e a abordagem média determina que o preço não necessita ser nem o máximo nem o mínimo, mas ser formado com base no preço do mercado concorrente. Vejamos a figura a seguir:

Figura 2 - Estratégias de precificação: abordagem de cima para baixo, de baixo para cima e média.

Fonte: Hashimoto e Borges (2020, p. 151).

Descrição da Imagem : a figura apresenta duas retas com setas. A primeira reta apresenta setas de cima para baixo, e a segunda reta, setas de baixo para cima. Entre ambas as retas, está a abordagem média (definido pela prática corrente dos concorrentes).

A estratégia mais fácil de implementar é a que define o preço pelos custos totais do produto, isto é, a de baixo para cima. Não se espera que o preço do produto fique abaixo do seu custo de fabricação, pois a empresa incorrerá em prejuízo. Hashimoto e Borges (2020) afirmam que os dois únicos casos em que isso pode acontecer é quando se adota uma estratégia de entrada no mercado com preços abaixo do custo para atrair o público ou quando o preço baixo é compensado pelo lucro de outros produtos comercializados.

INDICAÇÃO DE FILME

A GRANDE APOSTA

Este filme, que ganhou o Oscar em 2015, conta a história que ocorreu entre 2006 e 2007, em que um grupo de investidores apostou contra o mercado hipotecário dos Estados Unidos, pois previu e lucrou com o aumento e o colapso da bolha imobiliária e de crédito em 2007 e 2008. Este filme é uma peça guiada por personagens que enfoca não, apenas, os eventos que levaram à crise financeira, mas também a moralidade conflituosa de vários homens que previram a crise com antecedência. Ao assistir a esse filme, você poderá entender como esses investidores se anteciparam ao analisar os mercados e, por outro lado, compreender como o excesso de otimismo de alguns investidores pode ter sido um erro fatal para os seus negócios.

Em qualquer caso, preço baixo é uma alternativa estratégica, entretanto não pode ser sustentada por muito tempo. No caso de produtos/serviços que está em um mercado de alta competitividade, o mercado balizará a composição do preço do seu próprio produto/serviço. É essencial fazer um ranking de preços que possibilite determinar um comparativo com a concorrência (HASHIMOTO; BORGES, 2020).

Na abordagem média, parte-se do pressuposto de que o empreendedor pode mapear os concorrentes, para verificar qual é a prática de precificação empregada por eles, e, depois, buscar utilizar modelos semelhantes, para que possua condições mínimas de competir. Essa estratégia pode funcionar se o produto possuir atributos similares aos da concorrência, entretanto, se o produto oferecer mais benefícios e funcionalidades de valor para o cliente, isso pode representar um grande desperdício de oportunidade, por não explorar, de forma adequada, uma margem maior no preço.

“Também não funcionará se o produto não oferecer atributos mínimos valorizados pelo cliente e for precificado de forma similar ao do concorrente, pois o cliente não perceberá os valores propostos e então o produto não vai vender” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 153).

A abordagem de percepção de valor pelo cliente é a mais complexa, porém a mais adequada se for bem empregada, pois consiste em estabelecer o preço em relação à percepção de valor do cliente sobre o produto ou serviço. Nessa abordagem, os produtos ou serviços não têm influência dos concorrentes na elaboração do preço, uma vez que competem pelo foco ou diferenciação. O cliente pode mudar sua percepção do valor do produto de acordo com uma diversidade de fatores, conforme Hashimoto e Borges (2020), que envolve:

  • Relacionamento com o cliente.
  • Qualidade.
  • Marca.
  • Variedade.
  • Comodidade.
  • Raridade.
  • Flexibilidade.
  • Sofisticação e status.

“Assim, quando a percepção de valor do cliente for abaixo do preço cobrado, ele acha que o produto é caro, seja porque não foi feito um bom trabalho de marketing para criar valor na mente do consumidor, seja porque o cliente não enxergou o valor nas características do produto” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 155); desse modo, ele decide por não comprar.

Quando a percepção de valor é equivalente ao preço cobrado, o consumidor acredita que o preço é justo, uma vez que sua percepção dos benefícios oferecidos pelo produto está de acordo com o preço dele; então, ele decide comprar.

“Quando a percepção de valor é superior ao preço cobrado, o cliente vê uma pechincha, pois considera que está levando mais do que está pagando e também toma a decisão de compra” (HASHIMOTO; BORGES, 2020, p. 155).

Perceba que as últimas duas situações são as melhores, sob o ponto de vista do negócio, e uma situação de justiça para ambas as partes seria o ideal. Quando a percepção de valor do cliente é maior do que o preço do produto, a empresa perde a oportunidade de vender a um preço maior. No entanto essa é a situação ideal, pois a empresa constrói, de forma eficaz, a percepção de valor na mente do consumidor, de forma que resulte em uma flexibilidade maior para aumentar as margens de preço.

NOVOS DESAFIOS

Agora que entendemos os aspectos mercadológicos dos negócios, pudemos perceber os principais pontos que deveriam ser considerados pelas empresas ao estruturar o seu negócio, como a ideia e o diferencial competitivo dela alinhado à percepção de valor do cliente. Nesta perspectiva, vimos que, se a empresa de Antônio não tivesse tido essa maré de sorte, que foram os incentivos governamentais, ele não conseguiria alavancar tanto os seus negócios, pois iria competir, de forma mais acirrada, com outras empresas mais bem estruturadas no mercado.Além disso, Antônio não tinha qualquer conhecimento sobre proposta de valor, mas, apesar disso, sem saber, ele pensou em entregar um produto de qualidade a um preço baixo.

Talvez, podemos chamar isso de sorte ou feeling de um empreendedor nato. Entretanto vários concorrentes fortes no mercado da construção civil, também, prometeram entregar essa mesma proposta de valor. Se não houvesse incentivo, as vendas de Antônio não seriam tão representativas, uma vez que, para alavancar o mercado, ele deveria desenvolver estratégias com base nos pontos fracos do seu concorrente, trazendo diferenciais para esse mercado. Assim, o primeiro passo, ao realizar investimentos nos negócios, é pensar em uma estratégia alinhada ao público-alvo; então, para isso, o empreendedor deve conhecer as suas necessidades e expectativas não atendidas pela concorrência, de forma a delinear uma estratégia de entrada bem-sucedida.

Além dos aspectos em relação ao público-alvo e à concorrência, a análise da localização é um fator essencial para alguns negócios, pois pode reduzir custos logísticos relacionados à aquisição e à venda de mercadorias bem como aos custos com contratação de mão de obra. Além disso, dependendo do ramo de negócios, a localização pode ser um fator estratégico para ampliar as vendas, já que estar perto do público-alvo pode ser um fator de sucesso para o negócio.

REFERÊNCIAS

BARONE, A. Marketing Strategy . Investopedia, 12 dez. 2021. Disponível em: https://www.inestopedia.com/terms/m/marketingstrategy.asp. Acesso em: 25 abr. 2022.

CAMALIONTE, E.; FONTES, A. Inteligência de mercado : conceitos, ferramentas e aplicações. São Paulo: Saint Paul, 2011.

DORNELAS, J. Empreendedorismo : transformando ideias em negócios. 7. ed. São Paulo: Empreende, 2018.

DORNELAS, J. Plano de negócios com o modelo Canvas : guia prático de avaliação de ideias de negócio. 2. ed. São Paulo: Empreende, 2020.

HASHIMOTO, M.; BORGES, C. Empreendedorismo : plano de negócio em 40 lições. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2020.

REVISTA PEQUENAS EMPRESAS E GRANDES NEGÓCIOS. Brasil perdeu 316.680 empresas em 4 anos, diz IBGE . Os dados são do levantamento Demografia das Empresas e Empreendedorismo 2017, divulgados nesta quinta-feira, 17. Globo, 17 out. 2019. Disponível em: https:// revistapegn.globo.com/Noticias/noticia/2019/10/brasilperdeu316680empresasem4anosdizibge.html. Acesso em: 22 abr. 2022.