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MINHAS METAS
  • Conceitualizar da necessidade de capital de giro;
  • Exemplificar capital de giro;
  • Apresentar os mercados financeiros: monetário, de capital e de crédito.

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Neste tema de aprendizagem, você terá a oportunidade de compreender os aspectos que envolvem a análise da necessidade de capital de giro, considerando os aspectos essenciais relacionados ao ciclo operacional do negócio. Nesta perspectiva, trabalharemos as formas de captação e aplicação de recursos nos mercados financeiros.

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O insucesso da primeira empresa de Antônio ocorreu principalmente pela falta de acompanhamento e gerenciamento dos números do negócio. A falta de um sistema que descreve todas as entradas e saídas de recursos, desse modo, o desenvolvimento de orçamentos e a análise dos números fizeram com que as decisões de Antônio não fossem consistentes.

Infelizmente, o que aconteceu com a empresa dele não é diferente do que encontramos na maioria das micro e pequenas empresas em todo país, pois a falta de conhecimento sobre o que é capital de giro, lucro, nível de endividamento, entre outros, faz com que as decisões sejam tomadas às cegas, isto quer dizer que muitos empresários pensam que estão tendo lucros, por causa do volume financeiro de recursos, e retiram dinheiro para seus gastos pessoais, sem saber exatamente qual é o volume certo de recursos que pode ser retirado como lucro.

Já presenciei, por exemplo, casos de empresas que compravam grandes estoques porque o fornecedor dava desconto, sem considerar se havia dinheiro em caixa para cobrir esse investimento nesse tipo de ativo. Além disso, a maioria dessa mercadoria ficava, durante meses e anos, estocada, pois havia mudanças constantes nas coleções e, consequentemente, na matéria-prima utilizada na produção.

Ao fazer um levantamento de quantos produtos a empresa teria em estoques, verificamos que, se ela não comprasse mais nenhuma matéria-prima, conseguiria trabalhar durante seis meses sem precisar ligar para o fornecedor. Isso significa que o investimento no estoque estava alto demais , o que fez com que ela ficasse sem recursos para comprar as matérias-primas necessárias para o lançamento de novas estações . Ou seja, tudo isso gerou uma situação de falta de liquidez, resultando na falência do negócio.

Esse tipo de situação é muito comum nos pequenos negócios, uma vez que os empresários, normalmente, têm certa dificuldade de gerenciar o seu lucro e pensam que o capital de giro disponível pode ser utilizado para cobrir despesas pessoais. Já presenciei empresas que, em vez de pagar o fornecedor de matéria-prima, utilizava o recurso para pagar o vestido da sócia e, depois, recorria ao cheque especial para pagar o fornecedor. Essas decisões são tomadas dessa forma, pois muitas empresas não conseguem se organizar

e registrar, corretamente, as entradas e as saídas de caixa bem como as necessidades de captação ou aplicação dos recursos financeiros do negócio. Isso parece piegas, mas, na verdade, é muito mais comum do que você pode imaginar. Neste aspecto, uma das formas de garantir o sucesso de um negócio é conhecer os seus números, verifica-los diariamente e tomar decisões com base no que eles dizem. Um dos cálculos mais importantes é a análise do fluxo de caixa futuro e do capital de giro, pois ela determina o quanto de dinheiro você precisa para que o negócio não opere sem o dinheiro necessário em mãos.

VOCÊ SABE RESPONDER?

Diante disso, como você analisaria as necessidades de capital de giro de uma empresa? É possível analisar a necessidade de capital de giro por meio do balanço patrimonial da empresa? Como identificar o que são sobras de caixa e o que é lucro? Como saber se a empresa possui recursos suficientes para saldar as suas dívidas de curto e longo prazos?

Acredito que todos podemos concordar que um negócio não pode sobreviver sem liquidez. Mas o que acontece quando uma empresa enfrenta um problema de liquidez, isto é, de caixa? Em termos mais simples, o fluxo de caixa é a quantidade de dinheiro que uma empresa possui, seja ele sendo transferido para dentro ou fora do negócio, e gerenciar esse dinheiro pode ser um pouco mais complicado, exigindo uma análise por meio de ferramentas úteis.

Um bom indicador de liquidez é a força vital de todos os negócios e, sem um fluxo de caixa positivo, a empresa pode incorrer em problemas operacionais , isto é, não pagar algumas das partes interessadas mais importantes em uma empresa, como funcionários, fornecedores e o governo, o que pode afetar, gravemente, os negócios em longo prazo.

Nesta perspectiva, a gestão adequada do fluxo de caixa é um elemento-chave para uma empresa saudável e em crescimento. É um processo simples que envolve a análise e o monitoramento da quantidade de dinheiro que a empresa recebe menos o dinheiro que ela gasta. Assim, a capacidade de uma entidade de otimizar seu fluxo de caixa líquido é, geralmente, um indicador de que a saúde financeira geral dela é forte.

O oposto, também, é verdade. Se o fluxo de caixa se tornar um problema, pode resultar, por exemplo, em atrasos na folha de pagamento e na incapacidade de pagar fornecedores, o que pode levar à deterioração de um negócio, pois um fluxo de caixa negativo pode impactar outras áreas, como reinvestir lucros em oportunidades de crescimento, ou ser capaz de equipar, adequadamente, as operações já existentes.

Muitas empresas falham devido a práticas inadequadas de gerenciamento de fluxo de caixa, isto é, sem o controle dele, é fácil gastar o dinheiro que o negócio não tem. Então, para se antecipar a isso, é essencial considerar o desenvolvimento de um plano de gerenciamento de fluxo de caixa, uma vez que isso auxiliará na mensuração de quanto dinheiro está entrando e saindo da empresa durante um período. Além disso, esse processo, também, destacará qualquer potencial déficit de caixa e possibilitará a antecipação de problemas que possam surgir no futuro.

Construir uma reserva financeira , também, pode ajudar a empresa a se preparar para despesas inesperadas ou oportunidades de crescimento futuro.

Portanto, é essencial entender o dinheiro que entra e sai do negócio, e pensar em economizar fundos extras para o inesperado é uma boa estratégia. Além disso, é importante considerar abrir uma linha de crédito, mesmo quando o fluxo de caixa é positivo, as condições econômicas são boas e as taxas de juros são baixas, pois isso pode auxiliar a cobrir eventuais despesas repentinas ou, até mesmo, uma oportunidade inesperada de crescimento.

A partir da importância do gerenciamento de caixa da empresa, eu proponho a você conversar com micro e pequenos empresários para verificar como eles gerenciam a sua liquidez e com base em que relatório eles fazem as retiradas de recursos da empresa para seus usos pessoais.

Pensando Juntos

Você já conheceu algum empresário que retira dinheiro da empresa, a todo momento, para pagar suas contas pessoais? Você conhece alguma pessoa que teve que fechar a empresa, por falta de caixa para pagar funcionários e fornecedores? Será que uma empresa com uma estrutura sólida de caixa consegue se manter no mercado perante uma crise?

A partir da experiência do primeiro negócio de Antônio, o que devemos pensar ao gerenciar uma empresa? Uma manutenção positiva do caixa é suficiente? As sobras de caixas são importantes para atender a eventos inesperados? A falta de liquidez pode levar à falência do negócio? A falta de caixa se resolve com empréstimos de curto prazo? Por que as dívidas de curto prazo podem afetar a saúde financeira de um negócio? O que são dívidas saudáveis?

A dívida de curto prazo, também denominada passivo circulante, é uma obrigação financeira que deve ser paga no período de um ano. Nesta perspectiva, geralmente, há dois tipos de dívida, a financeira e a operacional. A financeira é resultado de ações para levantar recursos para alavancar o negócio e, normalmente, possui um prazo de pagamento superior a 12 meses. A operacional , por sua vez, é resultado de obrigações referentes às operações normais de negócios, o que inclui empréstimos bancários de curto prazo, contas a pagar, salários, pagamentos de arrendamento e imposto de renda a pagar.

Assim, podemos utilizar métricas financeiras para examinar o passivo da dívida de uma empresa, a fim de determinar a quão sólida ela é financeiramente. Dois índices comumente usados que se concentram nas obrigações de dívida de curto prazo de uma empresa são os índices de liquidez e o índice de capital de giro.

Necessidade de capital de giro

As operações comerciais bem-sucedidas dependem da disponibilidade de recursos materiais e financeiros, denominada capital de giro, que corresponde ao valor dos recursos de curto prazo disponíveis para o emprego nas atividades diárias de produção. Esse valor determina a capacidade do negócio de sustentar as operações de produção e atender às obrigações financeiras de curto prazo.

“O capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 1).

Figura 1 - Balanço patrimonial e capitais de giro positivo e negativo.

Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 67).

Um capital de giro positivo prevalece quando os ativos circulantes são maiores do que os passivos circulantes. O capital de giro positivo e suficiente destaca a prosperidade, enquanto o capital de giro negativo indica problemas. Uma empresa pode manter capital de giro suficiente aumentando os volumes de vendas, agilizando a cobrança de dívidas e acelerando a conversão de estoque em dinheiro.

A disponibilidade de capital de giro suficiente facilita o fluxo regular das atividades de produção diárias da empresa. Há caixa, estoque e contas a receber suficientes para apoiar as operações contínuas e compensar as obrigações de dívidas pendentes. Assim, um capital de giro suficiente possibilita que a empresa reponha seus estoques e expanda as vendas a prazo, sem comprometer sua posição financeira. Neste contexto, considere a estrutura patrimonial de uma empresa, representada na figura a seguir. Observe que o valor do capital de giro líquido (CGL) apresenta o mesmo resultado:

Observe que, do total de R$ 35,00 aplicados no ativo circulante, R$ 20,00 são financiados por meio de dívidas de curto prazo, no passivo circulante, e os R$ 15 restantes se remetem ao capital de giro liquido do negócio, originado de recursos de longo prazo, como passivo não circulante e patrimônio líquido. Isto significa que, dos R$ 80,00 captados em longo prazo, R$ 65,00 estão aplicados em ativos de longo prazo (não circulante, em investimentos ou imobilizado) e R$ 15,00 “excedentes são direcionados para financiar o capital de giro da empresa, denotando certa folga financeira” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 6).

Em contrapartida, “uma administração inadequada do capital de giro resulta normalmente em sérios problemas financeiros, contribuindo efetivamente para a formação de uma situação de insolvência” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 1). Isso comumente ocorre quando uma empresa apresenta CGL negativo, isto é, com passivo circulante acima do ativo circulante, o que indica que os recursos de longo prazo da entidade são insuficientes para atender a suas obrigações em longo prazo, empregando, assim, recursos do passivo circulante para esse fim. Isto significa que um CGL negativo mostra que a entidade está utilizando recursos passivos correntes para financiar seus investimentos em ativos não circulantes.

“A folga financeira e negativa pela presença de exigibilidade de curto prazo financiando aplicações com prazos de retorno maiores. Em outras palavras, parte da dívida da empresa tem prazo de resgate menor que o retorno da aplicação destes recursos” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 7).

Observe que, na parte (b) da Figura 1, o CGL e de R$ 40,00, o que indica que R$ 40,00, dos R$ 130,00 aplicados em ativo não circulante, estão sendo financiados por dívidas de curto prazo. De outra forma, nota-se que a entidade possui R$ 90,00 de recursos de longo prazo, que envolvem o passivo não circulante e o patrimônio líquido. Além disso, esse montante não e o bastante para atender a suas aplicações no ativo não circulante de R$ 130,00, sendo a diferença de R$ 40,00 “coberta por obrigações correntes (passivo circulante). Esta situação de aperto de liquidez e, muitas vezes, uma decisão de estrutura financeira da empresa, optando-se por uma preferência em relação ao dilema risco retorno” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 7).


O posicionamento da empresa com relação à situação de liquidez deve ser decidido considerando a estrutura que atenda melhor as necessidades e aos objetivos da entidade. Por exemplo, empresas com fluxos de caixa muito previsíveis podem empregar um capital giro líquido baixo ou, talvez, negativo, como, normalmente, ocorre com as companhias prestadoras de serviços públicos (ASSAF NETO; SILVA, 2012).

Portanto, para saber se a administração do capital de giro está adequada, divide-se os ativos circulantes pelos passivos circulantes para obter o índice atual. Os credores usam esse índice para avaliar a capacidade da empresa em honrar suas obrigações de curto prazo. O negócio deve ter um índice de liquidez mínimo de 1, para que seus ativos líquidos sejam considerados adequados para cobrir as responsabilidades de curto prazo.

E importante ter em conta que a administração do capital de giro trata dos ativos e passivos correntes como decisões interdependentes. Por exemplo, a perda da liquidez pela maior participação de estoques no ativo circulante deve ser compensada por um maior volume de caixa; a presença de passivos de prazos mais curtos exige, por seu lado, ativos correntes mais líquidos, e assim por diante (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 1).

Nesta perspectiva, o capital de giro protege o negócio dos efeitos das flutuações das condições de mercado, o que é, particularmente, importante para uma empresa que opera em uma indústria sazonal, porque facilita a sustentação das operações durante a baixa temporada. Um negócio sazonal precisa ter capital de giro suficiente para preencher a lacuna de receita criada pelo declínio das vendas na baixa temporada, pois, caso contrário, a empresa estaria em risco de inadimplência em suas contas e dívidas de curto prazo, uma situação que afetaria seu perfil de crédito geral.

O capital de giro, por sua vez, pode ser segmentado em fixo (ou permanente) e variável (ou sazonal). O capital de giro fixo refere-se ao volume mínimo de ativo circulante necessário para manter a empresa em condições normais de funcionamento. O capital de giro variável, por sua vez, é definido pelas necessidades adicionais e temporais de recursos, que são verificadas em determinados períodos e motivadas, principalmente, por compras antecipadas de estoques, maior morosidade no recebimento de clientes, recursos do disponível em trânsito, maiores vendas em certos meses do ano etc. (ASSAF NETO; SILVA, 2012).

A presença de ativos correntes na estrutura financeira das entidades e essencial, pois viabiliza, financeiramente, os negócios e auxilia na formação do retorno econômico do investimento executado. Assim, as empresas formalizam estratégias operacionais de atuação, em especial com relação a administração do capital de giro, buscando avaliar os investimentos correntes realizados e selecionando os passivos mais convenientes.

“Por exemplo, uma possível alternativa de retomada das vendas pode processar-se pelo incentivo das vendas a prazo, exigindo-se, neste caso, maior volume de investimento em circulante” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 1).

Neste contexto, a definição do montante de capital de giro e uma tarefa com sensíveis repercussões sobre o sucesso dos negócios, exercendo evidentes influências sobre a liquidez e a rentabilidade das empresas. sob determinado enfoque, uma empresa deve investir em capital de giro enquanto o retorno marginal dos ativos correntes se mantiver acima do custo dos recursos alocados para seu financiamento” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 2).

Cabe destacar, também, que o capital de giro convive com dois outros atributos importantes: a curta duração e rápida conversão de seus ativos em outros do mesmo grupo e a consequente reconversão. E perceptível, nos ativos correntes, a presença de um fluxo continuo e permanente de recursos entre seus vários itens, determinando uma interrelação forte no grupo e tornando seus valores muito mutáveis.

Por exemplo, o disponível e reduzido por compras de estoques; os estoques, por sua vez, são transformados em vendas; se as vendas forem a vista, ocorre uma elevação do disponível; se as vendas forem realizadas a prazo, a conta de valores a receber e alterada, transformando-se em disponível quando do recebimento; e assim por diante. Uma boa administração do capital de giro envolve imprimir alta rotação (giro) ao circulante, tornando mais dinâmico seu fluxo de operações (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 8)”.

Assim, o incremento de atividade no capital de giro gera menor necessidade de imobilização de capital no ativo circulante e, por consequência, incentivo à elevação da rentabilidade. No mundo dos negócios, buscam-se, de forma sistemática, a produção e a venda de bens e serviços, de forma a produzir determinados resultados, visando atender as expectativas de retorno das fontes de financiamento da empresa (ASSAF NETO; SILVA, 2012).

E no entendimento deste processo que se identifica, de forma natural e repetitiva, o ciclo operacional da empresa, que se inicia na aquisição da matéria-prima para produção – caso de uma empresa industrial – e se finaliza no recebimento pela venda do produto final (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 8). Isto é, o ciclo operacional incorpora, de forma sequencial, todas as fases operacionais que estão no processo de produção/venda/recebimento, conforme podemos observar na figura a seguir:

Figura 2 - Ciclo operacional de uma empresa industrial.

Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 9).

Descrição da Imagem : a figura apresenta o ciclo operacional, que incorpora, de forma sequencial, todas as fases operacionais que estão no processo de produção/venda/recebimento, que envolvem: prazo médio de estocagem de matérias primas; prazo médio de fabricação; prazo médio de venda (prazo médio de estocagem dos produtos acabados); e prazo médio de cobrança (prazo médio de recebimento).

ZOOM DO CONHECIMENTO

Cada uma das etapas operacionais apresentadas na figura acima possui determinada duração. Por exemplo, a aquisição de matérias-primas possui um prazo de estocagem; a produção exige um tempo para transformar os materiais em produtos acabados; os produtos acabados denotam um prazo necessário a venda; e o recebimento, muitas vezes, carece de um período de cobrança das vendas realizadas. É evidente que, conforme as características da empresa, uma ou outra etapa operacional pode não existir. Por exemplo, se as vendas são feitas apenas à vista, não há prazo médio de cobrança, por isso, é considerado nulo.

De forma semelhante, os negócios que produzem, apenas, sob encomenda não possuem prazo de estocagem de produtos acabados e assim consecutivamente (ASSAF NETO; SILVA, 2012). Ao realizar a soma dos prazos operacionais, você terá o tempo médio decorrido desde a compra de matéria-prima até o momento do recebimento do valor da venda. Quanto mais longo se apresentar este período, maior será, evidentemente, a necessidade de recursos para financiar o giro da empresa” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 10).

Note que o ciclo operacional é o intervalo de tempo em que não ingressam recursos financeiros na entidade, sendo necessário capital para os financiar. “Para uma empresa comercial, a fase de produção não estará presente. Já no caso de uma empresa com mais de um produto, a analise realizada do ciclo operacional poderá ser feita em termos médios ou, de uma forma mais completa, para cada um dos produtos” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 10).

Portanto, o ciclo operacional oferece uma visão sobre a eficiência de uma empresa com relação a suas operações. Um ciclo mais curto é preferido e indica um negócio mais eficiente e bem sucedido, em que a empresa é capaz de recuperar seu investimento em estoque rapidamente e possui caixa suficiente para cumprir as obrigações. Se o ciclo operacional de uma empresa for longo, pode-se criar problemas de fluxo de caixa.

Mercados financeiros

Agora passaremos a compreender três componentes do mercado financeiro, o mercado monetário, o mercado de capital e o mercado de crédito. Em um mercado monetário, podem ser emitidos empréstimos de curto prazo, uma vez que envolve um fluxo constante de dinheiro entre governos, corporações, bancos e instituições financeiras, tomando emprestado e emprestando por um período tão curto, como um overnight , e não superior a um ano. O mercado de capitais permite a negociação de longo prazo de títulos de dívida e de ações. O mercado de capitais mais conhecido no Brasil é a B3, antiga BM&FBovespa. No mercado de crédito, é onde os investidores e as instituições podem comprar títulos de dívida, como obrigações.

Mercado monetário

O mercado monetário possui um papel fundamental para assegurar que os bancos, as empresas e os governos preservem um nível adequado de liquidez diária, sem a necessidade de ficar à deriva de um empréstimo mais caro e sem acumular caixa em excesso que não rende juros. Esse mercado é estruturado com a finalidade de controlar a liquidez monetária da economia, e das taxas de juros fixadas pelas autoridades monetárias. Os papéis são negociados nesse mercado tendo como parâmetro de referência a taxa de juros, que se constitui em sua mais importante moeda de transação (ASSAF NETO, 2018, p. 61).

As operações nos mercados monetários são lastreadas por papéis que se caracterizam pelos reduzidos prazos de resgate e elevada liquidez. Caracterizado por um mercado de curto e curtíssimos prazos e, ainda, responsável pela formação das taxas de juros da economia, isto é, as taxas Selic e DI (ASSAF NETO, 2018). Nesse mercado, são negociadas, em especial, as NTN (Notas do Tesouro Nacional série F) e as LTN (Letras do Tesouro Nacional), que são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, com a finalidade de financiar o orçamento público, e classificados segundo a sua natureza e características de negociação.

As LTNs se referem à Letra do Tesouro Prefixado, que é negociada

“com deságio sobre o valor nominal no mercado (desconto), pagando o investidor uma quantia inferior a seu valor de face. A diferença entre o valor recebido e o valor pago representa a remuneração do título” (ASSAF NETO, 2018, p. 67).

O resgate desse título ocorre pelo seu valor nominal, independentemente do seu prazo de emissão. As formas de emissão e colocação das LTNs se dão por oferta pública, mediante leilões, e de forma direta, por meio da autorização do Ministério da Fazenda com um prazo estabelecido no momento de sua emissão.

As NTNs “oferecem rendimentos pós-fixados e atrelados a um indexador de preços da economia. Os juros são definidos na emissão e pagos periodicamente. São lançadas também diversas séries de NTN, pagando rendimentos diferenciados” (ASSAF NETO, 2018, p. 69). Esses títulos possuem opções de rendimentos e prazos distintos conforme com seu tipo de emissão.

As LFTs se referem à Letra do Tesouro Selic, que são títulos que possuem juros pós-fixados com rendimentos estabelecidos conforme a média da taxa Selic, assegurando uma rentabilidade de mercado ao investidor. “O resgate se dá pelo valor nominal acrescido do respectivo rendimento (taxa Selic) acumulado desde a data-base do título. São papéis atraentes, e seus prazos de resgate são definidos por ocasião de sua emissão” (ASSAF NETO, 2018, p. 67).

Além dos títulos do Governo Federal, são negociados também, no mercado monetário, por meio do mercado interfinanceiro, “os certificados de depósitos interfinanceiros (CDI), exclusivamente entre instituições financeiras, e títulos de emissão privada, como o certificado de depósito bancário (CDB) e debêntures” (ASSAF NETO, 2018, p. 66). Nesse mercado, uma instituição que possui sobras de caixa empresta fundos eletronicamente a outra com pouca disponibilidade de recursos, por meio do terminal da CETIP (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados), possibilitando, assim, o equilíbrio na distribuição de recursos pelas instituições. Essas operações “são lastreadas em CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), de emissão das instituições participantes e com circulação restrita nesse mercado” (ASSAF NETO, 2018, p. 69).

Aprofundando

As Instituições Financeiras atuam no mercado interfinanceiro como compradoras ou vendedoras de dinheiro, através de operações lastreadas em títulos denominados de CDI (Certificados de Depósitos Interfinanceiros). Através dessas forças livres de oferta e demanda, o mercado interfinanceiro estabelece uma taxa de juros que reflete as expectativas dos agentes de mercado com relação ao comportamento da economia, fixando-se principalmente nas taxas de juros e inflação. A taxa de juros calculada do mercado interfinanceiro é a taxa CDI, ou simplesmente taxa DI, sendo entendida como a taxa básica do mercado financeiro. O mercado interfinanceiro foi criado de maneira a atender ao fluxo de recursos demandado pelas instituições financeiras, exprimindo as taxas de juros praticadas as expectativas de seus participantes com relação ao custo do dinheiro.

Fonte: Assaf Neto (2018, p. 69)

As taxas do CDI, normalmente, são superiores às praticadas pelos títulos públicos da SELIC. Essa diferença é comumente entendida como resultado do maior risco que esses papéis de emissão privada se configuram em relação aos títulos públicos que são negociados livremente no mercado aberto (ASSAF NETO, 2018).

A taxa CDI pode, também, “ser entendida como uma taxa de juro básica do mercado financeiro, que influencia a formação das demais taxas de juros. São formadas, essencialmente, com base nas taxas de juros reais do mercado de títulos públicos e nas taxas de inflação da economia” (ASSAF NETO, 2018, p. 69).

Portanto, ao fazer a avaliação do caixa da empresa e constatar sobras, você poderá aplica-las no mercado monetário, uma vez que há títulos de curto prazo, que vão desde um overnight até um ano. Os títulos do governo possuem opções de taxas pré-fixadas e pós-fixadas, sendo consideradas opções mais seguras de investimentos e, normalmente, possuem taxas mais baixas que os CDBs, por exemplo, que são títulos emitidos por instituições privadas. Diante disso, cabe fazer uma análise para verificar qual opção de investimento se adapta melhor com as sobras de caixa do negócio.

Mercado de capitais

O mercado de capitais é voltado para investimentos de longo prazo. As empresas emitem ações e títulos para levantar dinheiro e expandir seus negócios, e os investidores os compram para participar desse crescimento. Nesta perspectiva, “o mercado de capitais pode ser definido como um conjunto de instituições e de instrumentos que negociam com títulos e valores mobiliários, objetivando a canalização dos recursos dos agentes compradores para os agentes vendedores” (PINHEIRO, 2019, p. 158).

Isto é, o mercado de capitais funciona como um sistema de valores mobiliários com a finalidade de viabilizar a capitalização das empresas e dar liquidez aos títulos delas. O mercado de capitais surgiu para atender às necessidades produtivas que não estavam sendo atendidas pelo mercado de crédito, com relação a assegurar o fluxo de recursos nas condições adequadas de prazos, custos e exigibilidades. Diante disso, o surgimento desse mercado foi pautado na contribuição para o desenvolvimento econômico, estimulando a formação da poupança privada e atuando como propulsor de capitais para os investimentos.

O mercado de ações pode ser dividido em mercado primário e mercado secundário. O mercado primário envolve a criação de títulos e capitalização das empresas, no qual se negocia a venda de novas ações ao público, isto é, o local no qual a entidade obtém recursos financeiros para seus negócios (PINHEIRO, 2019).

No mercado secundário, acontece a negociação de títulos, isto é, a troca da propriedade do título, o que proporciona liquidez aos títulos e incentiva o mercado primário. Diante disso, é uma condição para que se possa haver um mercado primário, onde as entidades podem, de forma efetiva, obter recursos financeiros.

“Quando a emissão é subscrita pelos antigos acionistas, embora a empresa seja registrada em bolsa, chama-se de subscrição particular e é feita diretamente na empresa ou por meio da bolsa de valores” (PINHEIRO, 2019, p. 158). Nesta fase, acontece a primeira negociação da ação, e o recurso referente à venda vai para a entidade, canalizando, assim, recursos dos poupadores para o investimento nas atividades produtivas. No mercado secundário, acontece a negociação de títulos, isto é, a troca da propriedade do título, o que proporciona liquidez aos títulos e incentiva o mercado primário. Diante disso, é uma condição para que se possa haver um mercado primário, onde as entidades podem, de forma efetiva, obter recursos financeiros. “O fator fundamental na decisão do investidor quando compra ações de novos lançamentos é a possibilidade de que, mais tarde, ao necessitar do total ou parte do capital investido, possa desfazer-se delas e reaver seu dinheiro com lucro” (PINHEIRO, 2019, p. 160).

Portanto, a função do mercado secundário é dar liquidez ao investidor , isto é, possibilitar que ele, ao decidir realizar uma operação de venda, encontre um comprador e vice-versa, o que resultará no fortalecimento “do mercado primário, e a consequente capitalização das empresas via mercado de ações, para compreender melhor o funcionamento e a interrelação dos mercados primário e secundário” (PINHEIRO, 2019, p. 160).

Neste contexto, os mercados secundários devem possuir transparência, liquidez e eficiência, respectivamente, ou seja, proporcionar fácil acesso à informação sobre os preços e os volumes negociados, à facilidade de vender e comprar ações com menor risco possível de perda de capital e ao rápido ajustamento de preços, independentemente do motivo. Normalmente, as negociações realizadas no mercado secundário podem ocorrer

em dois locais diferentes: no mercado secundário de balcão e no mercado secundário de bolsa de valores. “O mercado de balcão como simplesmente um mercado organizado de títulos cuja negociação não se faz em local determinado (como o mercado de bolsa), mas, principalmente, por telefone” (PINHEIRO, 2019, p. 160). Cabe destacar que, nesse mercado, negociam-se ações de empresas não registradas em bolsa e, por isso, não há controle e garantias de uma bolsa de valores.

Assim, no mercado de balcão, não há um local de negociação centralizado fisicamente e um sistema para a divulgação de informações. Como não há divulgação massificada, como acontece na bolsa de valores, as operações feitas nesse mercado têm pouca influência nas negociações seguintes, com relação a preço. Por fim, “não há homogeneidade em termos de participantes e operações. Nas transações com ações, os mercados de balcão, em muitos países, servem para que empresas novas e pequenas coloquem seus papéis ao público ” (PINHEIRO, 2019, p. 161).

O mercado de bolsa é aquele em que se compram e vendem ações e nele os clientes (compradores e vendedores) e as instituições do sistema de distribuição de títulos e valores mobiliários viabilizam a negociação com títulos e valores mobiliários”(PINHEIRO, 2019, p. 161).


Por isso, nesse mercado, há livre concorrência e pluralidade de participações, isto é, existe um número de clientes e instituições suficientes, de forma que nenhuma possui privilégio sobre a outra. Além disso, há homogeneidade de produto, o que quer dizer que todos os títulos negociados possuem as mesmas características, facilitando assim as negociações. Ademais há uma transparência na fixação de preços, o que traz credibilidade e segurança ao mercado (PINHEIRO, 2019, p. 161).

Zoom no Conhecimento

No mercado de bolsa, existem, também, as práticas equitativas de mercado, em que o processo de formação de preços é mais transparente e atraente, isto quer dizer que todos que realizam negociações de compra e venda de ações em bolsa de valores terão o mesmo tratamento e, ainda, obedecerão às mesmas regras e procedimentos bem como terão idêntico acesso às informações.

Portanto, Pinheiro (2019, p. 158) salienta que “a diferença básica entre os mercados primário e secundário é que, enquanto o primeiro caracteriza-se pelo encaixe de recursos na empresa, o segundo apresenta mera transação entre compradores e vendedores de ações, não ocorrendo assim alteração financeira na empresa”. Sendo esse último fundamental para o efetivo funcionamento do mercado primário, em que as empresas podem capitalizar recursos.

Mercado de crédito

Enquanto o mercado de ações oferece aos investidores a chance de investir no capital de uma empresa a partir da compra de títulos, isto é, emprestando dinheiro a ela e investindo no mercado de crédito, o mercado de crédito dá aos investidores a chance de investir em dívidas corporativas ou de consumo, pois o mercado de crédito tem como objetivo suprir as necessidades de caixa de curto e médio prazos dos diversos agentes econômicos, mediante a concessão de crédito, empréstimos e financiamentos a pessoas físicas e jurídicas, respectivamente.

As operações do mercado de crédito são realizadas por meio de sociedades financeiras que financiam bens de consumo e de instituições financeiras bancárias (bancos comerciais e múltiplos) (ASSAF NETO, 2018). As instituições bancárias possuem uma diversidade de modalidades de créditos, como: desconto de títulos, créditos rotativos, contas garantidas, “ hot money , empréstimos para capital de giro e para pagamento de tributos das empresas, vendor , repasse de recursos externos e crédito direto ao consumidor, assunção de dívidas e adiantamentos de contratos de exportação (ACC e ACE)” (ASSAF NETO, 2018, p. 72).

O Desconto Bancário de Títulos envolve, em especial, as duplicatas e as notas promissórias. No desconto, o banco concede um empréstimo por meio da garantia de um título de crédito futuro.

Esse tipo de operação é realizado como forma de antecipar o recebimento do crédito, isto é, se o credor de uma duplicata, cujo vencimento ocorrer em alguma data futura, precisar de dinheiro, ele poderá Negociá-la e receber à vista o valor de seu crédito por meio do pagamento de juros. Por causa da cobrança antecipada dos encargos financeiros, o valor liberado ao tomador é inferior ao valor de resgate dos títulos, o que caracteriza, assim, a operação de desconto bancário (ASSAF NETO, 2018). Nesse tipo de operação, caso o sacado não pague no vencimento da duplicata, do cheque ou da nota promissória, o responsável é o tomador de recursos, isto é, aquele que antecipou os recursos, já que o desconto se constitui, de forma efetiva, em um empréstimo.

A conta garantida equivale à abertura de uma conta com um limite de crédito garantido pela instituição bancária com limites pré-estabelecidos. O mutuário da operação saca fundos até o limite contratado para saldar suas necessidades mais imediatas de caixa” (ASSAF NETO, 2018, p. 73). Essa conta é comumente criada à parte da conta corrente do cliente do banco e, quando o cliente precisa de recursos para seu giro, é realizada uma transferência dos valores para a sua conta corrente. A conta garantida é movimentada comumente por meio de cheques, podendo ocorrer depósitos para cobrir o saldo devedor existente. Os encargos financeiros são calculados considerando o saldo que fica a descoberto e cobrados, geralmente, ao final de cada mês.

Os créditos rotativos são linhas de crédito abertas pelos bancos, que visam ao financiamento das necessidades de curto prazo (capital de giro) das empresas, e são movimentadas normalmente por meio de cheques” (ASSAF NETO, 2018, p. 73). Esses créditos são operados, geralmente, com garantias de duplicatas, mediante a entrega de duplicatas como garantia da operação. Para isso, o banco abre uma linha de crédito com base num percentual calculado sobre o valor das duplicatas dadas em garantia e, de acordo com que as duplicatas vão sendo resgatadas pelos sacados, a entidade cliente deverá substituí-las por outras, de forma a manter a rotatividade e o limite do crédito concedido.

As operações de Hot Money envolvem “empréstimos de curto e curtíssimo prazos, demandadas para cobrir as necessidades mais permanentes de caixa das empresas. As taxas do hot money são formadas com base nas taxas do mercado interfinanceiro (taxa CDI), conforme estudado anteriormente” (ASSAF NETO, 2018, p. 73). Essas taxas são restabelecidas diariamente , o que possibilita aos tomadores de recursos mudanças rápidas de posição, conforme as mudanças que venham a acontecer em seus percentuais.

O CDI, por exemplo , é “o título que lastreia as operações realizadas nesse mercado, sendo emitido pelas instituições financeiras participantes. Basicamente, as operações do mercado interfinanceiro são realizadas por um dia, sendo estabelecida a taxa over como padrão dos juros do CDI” (ASSAF NETO, 2018, p. 73). Os empréstimos para capital de giro são ofertados pelos bancos mediante uma formalização contratual, que determina “as condições básicas da operação, como garantias, prazo de resgate, encargos financeiros etc. As garantias podem ser oferecidas por meio de duplicatas, avais, notas promissórias etc.” (ASSAF NETO, 2018, p. 74). Por sua vez, os empréstimos para pagamento de tributos são adiantamentos disponibilizados às entidades para liquidar impostos e tarifas públicas, como, por exemplo: IPI, ICMS, INSS e IR etc.

Operações de Vendor é um crédito que decorre de um pagamento à vista a uma empresa comercial por uma instituição bancária com base nos “direitos relativos às vendas realizadas e recebidos em cessão, em troca de uma taxa de juros de intermediação. No vendor , a empresa vendedora atua como cedente do crédito, e o banco como cessionário e financiador do comprador” (ASSAF NETO, 2018, p. 74), em que a responsabilidade do pagamento dos títulos ao banco é da entidade que fez a aquisição; por isso, comumente, exige-se que seja um cliente que a instituição conheça.

Pensando Juntos

Você já parou para pensar que seria interessante uma empresa, mesmo em situação confortável de caixa, manter uma linha de crédito de longo prazo pré-aprovada e com juros baixos? Pois, em caso de urgência ou em cenários em que a entidade vislumbre oportunidades, ela poderá utilizá-la, sem a necessidade de captar recursos de curto prazo, com altos custos.

“As principais vantagens do vendor para a empresa comercial vendedora são identificadas na possibilidade de recebimento à vista e redução da base de cálculo de impostos e comissões incidentes sobre o faturamento (PIS, Cofins, ICMS, IPI etc.)” (ASSAF NETO, 2018, p. 74). O interesse da empresa compradora está nas taxas de juros da operação, já que elas são mais baixas do que se tomasse o empréstimo isoladamente no mercado. A finalidade desse tipo de operação é viabilizar as vendas a prazo, possibilitando que a entidade vendedora receba o valor da venda à vista e, de forma simultânea, repasse o crédito ao comprador. O Crédito Direto ao Consumidor (CDC)

[...] é uma operação tipicamente destinada a financiar aquisições de bens e serviços por consumidores ou usuários finais. A concessão do crédito é efetuada por uma sociedade financeira, e a garantia usual da operação é a alienação fiduciária do bem objeto do financiamento (ASSAF NETO, 2018, p. 75).

A Assunção de Dívidas é uma operação voltada às entidades com recursos em caixa para quitação de uma dívida futura.

O CDC pode ser com interveniência ou direto. O CDC com interveniência se refere ao crédito bancário cedido às entidades para que elas repassem a seus clientes, com a finalidade de financiar bens e serviços para o pagamento mediante as prestações mensais. A empresa comercial assume o risco do crédito, pois passa a se constituir como interveniente da operação. No CDC direto, a instituição financeira assume a carteira de clientes dos comerciantes e o risco dos créditos cedidos. “Os juros nessa alternativa de crédito, por apresentarem maior risco, são mais elevados que os cobrados nas operações com interveniência” (ASSAF NETO, 2018, p. 75). A Assunção de Dívidas é uma operação voltada às entidades com recursos em caixa para quitação de uma dívida futura.

O banco negocia a liberação de recursos equivalentes ao valor de liquidação da dívida vencida, garantindo uma aplicação financeira a taxas superiores às geralmente praticadas, para os fundos a serem utilizados na quitação. Com isso, a empresa consegue baratear o custo de sua dívida (ASSAF NETO, 2018, p. 75).

Assim, o devedor de uma dívida transfere a responsabilidade de seu pagamento a uma instituição financeira, mediante sua liquidação antecipada. Seu ganho na operação é o desconto concedido no valor pago. A instituição compradora da dívida passa a ser responsável por seu pagamento.

O Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) é uma operação desenvolvida com a finalidade de dinamizar as exportações, tornando-as mais competitivas no mercado. “As instituições financeiras, autorizadas a operar com câmbio, adiantam aos exportadores recursos lastreados nos contratos de câmbio (ACC) firmados com importadores estrangeiros, proporcionando recursos antecipados às empresas nacionais vendedoras (exportadoras)” (ASSAF NETO, 2018, p. 75).Essa operação apresenta-se com características de financiamento à produção e, por isso, pode acontecer na fase de

fabricação do produto que será embarcado ao exterior. Nessa fase, a operação é conhecida por ACC — Adiantamento de Contrato de Câmbio . “ O exportador pode solicitar o adiantamento dos recursos somente após o embarque da mercadoria ao importador, sendo a operação nesse caso denominada ACE – Adiantamento sobre Cambiais Entregues” (ASSAF NETO, 2018, p. 75). Ao requerer o ACE no pós-embarque, o exportador ganha toda a variação cambial ocorrida no período coberto, desde a fabricação até a entrega final do produto.

O Commercial Paper (Nota Promissória Comercial) constitui-se de nota promissória comumente com um prazo máximo de um ano, emitida por uma sociedade para financiar suas necessidades de capital de giro. “A garantia do título é o próprio desempenho da empresa emissora, e os papéis podem ser adquiridos pelas instituições financeiras para sua carteira própria ou repasse a seus clientes investidores” (ASSAF NETO, 2018, p. 75).

Uma vantagem para o emissor do título é a possibilidade de captar recursos no mercado, pagando um custo, normalmente, inferior às taxas de juros dos empréstimos bancários. “As sociedades anônimas carentes de recursos podem emitir estes títulos e colocá-los diretamente junto aos investidores no mercado” (ASSAF NETO, 2018, p. 75). Assim, os principais interessados em aplicar o Commercial Paper são os fundos de pensão, as carteiras de bancos e as empresas seguradoras.

Por fim, o Export Note (Nota de Exportação) é uma cessão de créditos resultantes de contratos de exportação firmados por entidades nacionais. O exportador nacional levanta recursos para financiar suas vendas externas, cedendo a um investidor, por meio de um export note , seus direitos provenientes da exportação realizada, recebendo em troca o correspondente em moeda nacional (ASSAF NETO, 2018). Esse título é negociável no mercado financeiro, sendo possível, também, a utilização dele para realizar hedge cambial para as entidades que possuem dívidas em moeda estrangeira.

NOVOS DESAFIOS

Chegamos ao fim de mais um tema de aprendizagem. Neste capítulo, foram apresentados alguns aspectos que envolvem a análise da necessidade de capital de giro, considerando os aspectos essenciais relacionados ao ciclo operacional do negócio. Aprendemos que o capital de giro é a diferença entre o ativo e o passivo circulantes de uma entidade, que um capital de giro positivo prevalece quando os ativos circulantes são maiores do que os passivos circulantes. O capital de giro positivo e suficiente destaca a prosperidade, enquanto o capital de giro negativo indica problemas. Aprendemos sobre os três componentes do mercado financeiro: o mercado monetário, o mercado de capital e o mercado de crédito. O mercado monetário possui um papel fundamental para assegurar que os bancos, as empresas e os governos preservem um nível adequado de liquidez diária. O mercado de capitais é voltado para investimentos de longo prazo. As empresas emitem ações e títulos para levantar dinheiro e expandir seus negócios, e os investidores os compram para participar desse crescimento. Já o mercado de crédito dá aos investidores a chance de investir em dívidas corporativas ou de consumo, pois o mercado de crédito tem como objetivo suprir as necessidades de caixa de curto e médio prazos dos diversos agentes econômicos, mediante a concessão de crédito, empréstimos e financiamentos a pessoas físicas e jurídicas, respectivamente.

Agora vamos ao encontro do próximo e último tema de aprendizagem. Até logo!

REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, A. Mercado financeiro . 14. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

ASSAF NETO, A.; SILVA, C. A. T. Administração do capital de giro . 4. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

MARTINS, E. et al. Análise didática das demonstrações contábeis . 2. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

PINHEIRO, J. L. Mercado de capitais . 9. ed. São Paulo: Atlas, 2019.