Observe que, do total de R$ 35,00 aplicados no ativo circulante, R$ 20,00 são
financiados por meio de dívidas de curto prazo, no passivo circulante, e os R$
15 restantes se remetem ao capital de giro liquido do negócio, originado de
recursos de longo prazo, como passivo não circulante e patrimônio líquido. Isto
significa que, dos R$ 80,00 captados em longo prazo, R$ 65,00 estão aplicados em
ativos de longo prazo (não circulante, em investimentos ou imobilizado) e R$
15,00 “excedentes são direcionados para
financiar o capital de giro da empresa,
denotando certa folga financeira” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 6).
Em contrapartida, “uma administração
inadequada do capital de giro resulta
normalmente em sérios problemas financeiros, contribuindo efetivamente para
a
formação de uma situação de insolvência” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p.
1). Isso
comumente ocorre quando uma empresa apresenta CGL negativo, isto é, com passivo
circulante acima do ativo circulante, o que indica que os recursos de longo
prazo da entidade são insuficientes para atender a suas obrigações em longo
prazo, empregando, assim, recursos do passivo circulante para esse fim. Isto
significa que um CGL negativo mostra que a entidade está utilizando recursos
passivos correntes para financiar seus investimentos em ativos não circulantes.
“A folga financeira e negativa pela presença de exigibilidade de curto prazo
financiando aplicações com prazos de retorno maiores. Em outras palavras, parte da
dívida da empresa tem prazo de resgate menor que o retorno da aplicação destes
recursos” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 7).
Observe que, na parte (b) da Figura 1, o CGL e de R$ 40,00, o que indica que R$ 40,00,
dos R$ 130,00 aplicados em ativo não circulante, estão sendo financiados por dívidas de
curto prazo.
De outra forma, nota-se que a entidade possui R$ 90,00 de recursos de longo
prazo, que envolvem o passivo não circulante e o patrimônio líquido. Além disso,
esse montante não e o bastante para atender a suas aplicações no ativo não
circulante de R$ 130,00, sendo a diferença de R$ 40,00 “coberta por obrigações
correntes (passivo circulante). Esta situação de aperto de liquidez e, muitas
vezes, uma decisão de estrutura financeira da empresa, optando-se por uma
preferência em relação ao dilema risco retorno” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 7).
O posicionamento da empresa com relação à situação de liquidez deve ser decidido
considerando a estrutura que atenda melhor as necessidades e aos objetivos da
entidade. Por exemplo, empresas com fluxos de caixa muito previsíveis podem
empregar um capital giro líquido baixo ou, talvez, negativo, como, normalmente,
ocorre com as companhias prestadoras de serviços públicos (ASSAF NETO; SILVA,
2012).
Portanto, para saber se a administração do capital de giro está adequada,
divide-se os ativos circulantes pelos passivos circulantes para obter o índice
atual.
Os credores usam esse índice para avaliar a capacidade da empresa em honrar suas
obrigações de curto prazo. O negócio deve ter um índice de liquidez mínimo de 1,
para que seus ativos líquidos sejam considerados adequados para cobrir as
responsabilidades de curto prazo.
“
E importante ter em conta que a administração do capital de giro trata dos ativos e
passivos correntes como decisões interdependentes. Por exemplo, a perda da liquidez
pela maior participação de estoques no ativo circulante deve ser compensada por um
maior volume de caixa; a presença de passivos de prazos mais curtos exige, por seu
lado, ativos correntes mais líquidos, e assim por diante (ASSAF NETO; SILVA, 2012,
p. 1).
Nesta perspectiva, o capital de giro protege
o negócio dos efeitos das
flutuações das condições de mercado, o que é, particularmente, importante
para
uma empresa que opera em uma indústria sazonal, porque facilita a
sustentação
das operações durante a baixa temporada. Um negócio sazonal precisa
ter capital
de giro suficiente para preencher a lacuna de receita criada pelo declínio das
vendas na baixa temporada, pois, caso contrário, a empresa estaria em risco de
inadimplência em suas contas e dívidas de curto prazo, uma situação que afetaria
seu perfil de crédito geral.
O capital de giro, por sua vez, pode
ser segmentado em fixo (ou
permanente) e
variável (ou sazonal). O capital de
giro fixo refere-se ao volume mínimo de
ativo circulante necessário para manter a empresa em condições normais de
funcionamento. O capital de giro variável, por sua vez, é definido pelas
necessidades adicionais e temporais de recursos, que são verificadas em
determinados períodos e motivadas, principalmente, por compras antecipadas de
estoques, maior morosidade no recebimento de clientes, recursos do disponível em
trânsito, maiores vendas em certos meses do ano etc. (ASSAF NETO; SILVA, 2012).
A presença de ativos correntes na estrutura financeira das entidades e essencial, pois
viabiliza, financeiramente, os negócios e auxilia na formação do retorno econômico do
investimento executado. Assim, as empresas formalizam estratégias operacionais de
atuação, em especial com relação a administração do capital de giro, buscando avaliar os
investimentos correntes realizados e selecionando os passivos mais convenientes.
“Por exemplo, uma possível alternativa de retomada das vendas pode processar-se pelo
incentivo das vendas a prazo, exigindo-se, neste caso, maior volume de investimento
em circulante” (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 1).
Neste contexto, a definição do montante de capital de giro e uma tarefa com sensíveis
repercussões sobre o sucesso dos negócios, exercendo evidentes influências sobre a
liquidez e a rentabilidade das empresas. sob determinado enfoque, uma empresa deve
investir em capital de giro enquanto o retorno marginal dos ativos correntes se mantiver
acima do custo dos recursos alocados para seu financiamento” (ASSAF NETO; SILVA, 2012,
p. 2).
Cabe destacar, também, que o capital de giro
convive com dois outros atributos
importantes: a curta duração e rápida conversão de seus ativos em outros do mesmo
grupo
e a consequente reconversão.
E perceptível, nos ativos correntes, a presença de um fluxo
continuo e permanente de recursos entre seus vários itens, determinando uma interrelação
forte no grupo e tornando seus valores muito mutáveis.
Por exemplo, o disponível e reduzido por compras de estoques; os estoques, por
sua
vez, são transformados em vendas; se as vendas forem a vista, ocorre uma
elevação do
disponível; se as vendas forem realizadas a prazo, a conta de valores a receber
e
alterada, transformando-se em disponível quando do recebimento; e assim por
diante.
Uma boa administração do capital de giro envolve imprimir alta rotação (giro) ao
circulante, tornando mais dinâmico seu fluxo de operações (ASSAF NETO; SILVA,
2012,
p. 8)”.
Assim, o incremento de atividade no capital de giro gera menor necessidade de
imobilização de capital no ativo circulante e, por consequência, incentivo à
elevação da rentabilidade.
No mundo dos negócios, buscam-se, de forma sistemática, a produção e a venda de bens
e serviços, de forma a produzir determinados resultados, visando atender as
expectativas de retorno das fontes de financiamento da empresa (ASSAF NETO; SILVA,
2012).
E no entendimento deste processo que se identifica, de forma natural e repetitiva, o
ciclo operacional da empresa, que se inicia na aquisição da matéria-prima para produção
– caso de uma empresa industrial – e se finaliza no recebimento pela venda do produto
final (ASSAF NETO; SILVA, 2012, p. 8). Isto é, o ciclo operacional incorpora, de forma
sequencial, todas as fases operacionais que estão no processo de
produção/venda/recebimento, conforme podemos observar na figura a seguir:
Figura 2 - Ciclo operacional de uma empresa industrial.
Fonte: Assaf Neto e Silva (2012, p. 9).
Descrição da Imagem
: a figura apresenta o ciclo operacional, que incorpora, de forma sequencial, todas as
fases
operacionais que estão no processo de produção/venda/recebimento, que envolvem: prazo
médio de
estocagem de matérias primas; prazo médio de fabricação; prazo médio de venda (prazo
médio de
estocagem dos produtos acabados); e prazo médio de cobrança (prazo médio de
recebimento).