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MINHAS METAS
  • Compreender aspectos que envolvem a elaboração de um fluxo de caixa;
  • Apresentar as estratégias para confecção de um fluxo de caixa;
  • Calcular capital de giro.

INICIE SUA JORNADA

Neste tema de aprendizagem, você terá a oportunidade de compreender os aspectos que envolvem o desenvolvimento de um fluxo de caixa de um projeto de investimento, considerando os aspectos essenciais relacionados ao planejamento orçamentário e ao cálculo do capital de giro. Nesta perspectiva, trabalharemos a análise de viabilidade de negócios e as ferramentas necessárias para isso. A empresa do setor da construção civil, criada por Antônio, não considerou os aspectos relacionados à viabilidade econômica e financeira do negócio, pois não houve um estudo de mercado aprofundado, com projeções de demanda, nem a tomada de decisão de investimento, com base em dados e informações. O achismo de Antônio de que vai dar tudo certo é muito comum em pequenos empresários, que, muitas vezes, por falta de conhecimento, ou convencimento, entram, de forma amadora, nos negócios.

DESENVOLVA O SEU POTENCIAL

Acredito que muitas empresas sentiram o peso do amadorismo com a crise econômica provocada pela pandemia da Covid19, que não somente ocorreu no Brasil, mas no mundo todo. Ela afetou não apenas as grandes empresas, em especial no setor de turismo, mas as pequenas também, isto é, os cafés, os bares e os restaurantes foram alguns dos pequenos negócios mais afetados por essa crise no planeta. Aqueles que acabaram realizando seus investimentos nesses setores, pautados em dados e informações, e estavam atentos ao mercado entenderam a tendência e, rapidamente, passaram a vender seus produtos em formato takeaway ou delivery , mas outros, simplesmente, tiveram que fechar as portas.

Observe que tomar uma decisão de investimentos sem a pautar em análises, em que você consiga calcular o risco daquele negócio, é a mesma coisa que andar no escuro, sem saber onde está pisando, ou seja, se há buracos por perto ou itens, esses podem o(a) ferir. Por exemplo, se você estuda a viabilidade do seu negócio e o resultado é negativo, você entende que investir nisso é muito arriscado, pois os dados mostram que aquele produto tende a não ser rentável, mas você, enquanto empreendedor(a), quer investir porque acredita no negócio. Desse modo, poderá tomar uma decisão embasada nisso e decidir se correrá esse risco e quanto de recursos poderá perder caso o negócio não se efetive.

REFLITA!

Hoje, muitos negócios, principalmente na área da tecnologia, não conseguem captar o potencial de demanda e o fluxo de caixa futuro a partir de um estudo de mercado, uma vez que nem sempre esse estudo pode captar a realidade do negócio, pois, para isso, seria necessária uma pesquisa muito grande, o que ficaria muito caro para uma empresa que está começando e, principalmente, para os negócios que são disponibilizados em nível mundial, como é o caso dos aplicativos, como o WhatsApp, a plataforma Zoom, entre outros.

Imagine se você estivesse responsável por desenvolver um fluxo de caixa futuro para esses aplicativos, antes do lançamento, quando havia somente a ideia. Talvez, você não conseguisse dimensionar a receita potencial do negócio, mas, se conseguisse, ao apresentar sua análise, os investidores falariam que ela estaria superdimensionada com relação às receitas e, por isso, a lucratividade estaria alta. Falo isso por experiência própria, pois trabalhar com produtos inovadores, muitas vezes, é um desafio. Ciente disso, Antônio, agora, está trabalhando em seu novo negócio com mais cautela e, por isso, realizou um estudo de mercado na internet e descobriu que o consumo per capita de pães no Brasil é de 33,5 quilos. Além disso, descobriu que esse setor vem crescendo no país em torno de 3% nos últimos anos, número esse que já foi maior quando comparado com 2010, que chegou a 13,7%. Além desse estudo realizado na internet, Antônio fez uma pesquisa de opinião com a população local, a fim de constatar o que estava faltando em termos de panificação na região, o consumo médio das famílias, os fatores que essas levam em consideração no momento da compra bem como a renda delas.

Aprofundando

De acordo com a pesquisa de Antônio, 55% dos entrevistados possuem uma renda mensal familiar entre R$ 2.500,00 e R$ 5.000,00. A segunda maior participação está nas famílias com renda mensal entre R$ 5.001,00 e R$ 7.500,00, representando 40% do total. Um dado importante é que a maioria da população entrevistada costuma comprar pães no supermercado, e, apenas, 40% das pessoas costumam ir às padarias da região. Segundo os entrevistados, nas padarias existentes no bairro, faltam variedade de produtos (45%), melhor qualidade deles (35%) e bom atendimento (20%).

Assim, 80% das pessoas que colaboraram com a pesquisa afirmaram que faltam padarias no bairro, pois as existentes não oferecem variedade, qualidade de produtos e bom atendimento, e, por isso, ocorre maior fluxo de compras de produtos de panificação no mercado, no caso, no Supermercado Mix. Também é importante frisar que não há padarias nos bairros vizinhos, e as pessoas que vivem nesses locais, normalmente, deslocam até a região onde Antônio implantará seu negócio, para comprar produtos de panificação. Um dado importante é que as pessoas que adquirem esses produtos buscam bom preço (45%), bom atendimento (25%) e boa higiene (30%). Em relação ao consumo, observou-se que 76,6% das famílias consomem por semana até R$ 52,00 em produtos de padaria, e 17,7% gastam até R$ 82,00 por semana, e, dessas pessoas, 42,8% vão à padaria todos os dias da semana. Em relação à realização de refeições em padarias, como café da manhã, lanche e café da tarde, os dados demonstram que 80% não fazem nenhuma refeição nesses locais; 15% fazem refeições, pelo menos, uma vez na semana; 3% costumam lanchar três vezes na semana; e, apenas, 2% fazem alguma refeição em padarias durante todos os dias.

Diante disso, Antônio notou que não seria interessante investir nesse setor dentro do seu negócio. Em relação ao horário de atendimento, a maioria dos pesquisados (40,1%) disse que a padaria deveria abrir antes das 5h30min e fechar depois das 22h. Em relação aos dias da semana, para o funcionamento da padaria, 60% dos entrevistados gostariam que a padaria pudesse funcionar de segunda a segunda, em horário normal. Portanto, Antônio percebeu em seu estudo que a população da região sente necessidade de um negócio que ofereça maior diversidade de produtos, a preços compatíveis, e bom atendimento. Além disso, devido aos moradores do bairro terem renda pouco representativa e poucos buscarem alimentação fora de casa, a pesquisa, ainda, mostrou que é viável a implantação de uma padaria, mas com ressalvas a altos investimentos, visto a característica da população local.

VOCÊ SABE RESPONDER?

Diante desses números, como você estimaria as receitas da Padaria Dolce Vita? Será que, com os dados apresentados no estudo de Antônio, é possível estimar as vendas para seus produtos? A partir do estudo de Antônio, como dimensionar a quantidade produzida? Como dimensionar o investimento e analisar a viabilidade do negócio a partir do estudo realizado por Antônio?

A importância de um estudo de viabilidade é fundamentada na vontade do empreendedor de “acertar” antes de comprometer seus recursos, tempo ou orçamento. Esse estudo pode revelar novas ideias, que podem mudar, completamente, o escopo de um projeto, por isso, é melhor realizar um plano de negócios, em vez de pular essa etapa e ver que o projeto não funcionará .

Conduzir um estudo de viabilidade é sempre benéfico para o projeto, pois dá a você e as outras partes interessadas uma imagem clara do projeto proposto, pois fornece informações para decisões, limita as alternativas de negócios e identifica um motivo válido para identificar o projeto, além de possibilitar uma análise de restrições dele, como: orçamento, recursos, tecnologias, marketing, exportação, logística, meio ambiente, leis e regulamentos, entre outros.

Portanto, essa análise é empregada para estabelecer a viabilidade de uma ideia, como assegurar que um projeto seja legal, tecnicamente viável e economicamente justificável, além de demonstrar se um projeto vale o investimento. No entanto, em alguns casos, um projeto pode não ser factível, já que pode haver muitos motivos para isso, incluindo a necessidade de muitos recursos, ou um custo maior do que uma organização ganharia de volta assumindo um projeto que não é lucrativo.

Zoom no Conhecimento

Nesta perspectiva, um estudo bem elaborado deve oferecer um histórico do negócio ou projeto, como descrição do produto ou serviço, detalhes de operações e gerenciamento, pesquisas e políticas de marketing, dados financeiros, requisitos legais e obrigações fiscais. Geralmente, esses estudos precedem o desenvolvimento técnico e a implementação do projeto. Uma análise de viabilidade avalia o potencial de sucesso do projeto; portanto, a objetividade percebida é um fator essencial para a credibilidade do estudo, para potenciais investidores, e das instituições de crédito.

A partir da forma como Antônio analisou o seu novo negócio, eu proponho a você conversar com empresários que implantaram seus empreendimentos recentemente, para verificar se eles estudaram o mercado e, se sim, como esse estudo foi feito, por exemplo: por meio da internet, da pesquisa no bairro ou na região de atuação a partir de aplicação de questionário, entre outros.

Você já respondeu a alguma pesquisa sobre suas preferências com relação ao consumo? Ao responder o questionário, você já parou para pensar como a empresa utilizaria os dados e as informações que você passou a ela? Você já parou para pensar que estimar a quantidade vendida em um projeto pode levar a uma superestimação da viabilidade do negócio? Qual é a melhor base para a tomada de decisão: superestimação ou subestimação da viabilidade de um negócio?

Pensando Juntos

A partir da experiência de Antônio, o que devemos pensar ao estruturar a projeção de demanda para um projeto? Uma análise macro de mercado é suficiente? A análise micro é mais eficiente? Por que o erro de projeção de demanda de um projeto pode ser maléfico para os negócios?

A projeção de demanda é o processo no qual os dados históricos de vendas são usados para desenvolver uma estimativa de uma previsão esperada da demanda do cliente. Para as empresas, a projeção de demanda fornece uma estimativa da quantidade de bens e serviços que os clientes deverão comprar de forma previsível. As premissas críticas de negócios, como faturamento, margens de lucro, fluxo de caixa, despesas de capital, avaliação de riscos e planos de mitigação, planejamento de capacidade etc., dependem da projeção de demanda.

Na teoria, a previsão de demanda parece simples, pois destaca que esse processo envolve a previsão do quanto dos produtos os clientes comprarão, de modo que a empresa produza essa quantidade. Entretanto, na prática, a previsão da demanda é algo muito mais complexo, pois a previsão está sempre associada a algum nível de erro, e, dependendo da magnitude desse erro, pode ter um impacto significativo nos resultados financeiros nos negócios. Por exemplo, imagine que uma empresa realize uma previsão de demanda e, a partir dela, produza mais produtos do que os clientes precisam. Isso pode fazer com que os custos de estoque disparem, já que produtos indesejados ficam no estoque, podendo ficar obsoletos, por exemplo.

Por outro lado, a empresa pode subestimar, inadvertidamente, a demanda do cliente por seu produto, o que pode fazer com que ela não consiga atender a novos pedidos de seu produto, levando a uma insatisfação dos clientes atuais e ao desencorajamento de clientes futuros. Por exemplo, eu pude acompanhar um caso de uma rede de fastfood, em uma pequena cidade da Inglaterra, que implantou o delivery para atender a seus clientes, por causa da pandemia da Covid19. Porém, por haver uma subestimação da demanda, a empresa não tinha estrutura física nem pessoal para atender, ao mesmo tempo, ao delivery e aos clientes que vinham até a empresa para pegar o produto e consumir em casa. Isso resultou em filas de espera, fora do restaurante, e demora para entregar o produto por meio do delivery , levando à insatisfação dos clientes atuais e, consequentemente, à uma queda significativa da demanda. De qualquer forma, essa empresa está perdendo negócios que poderia ter tido.

Casos de subestimação de demanda podem levar, também , à pressão de fornecedores e fabricantes para manter os pedidos quando eles não têm capacidade suficiente para atendê-los. A previsão pode até contribuir para as decisões de sua equipe, se, de repente, você não tiver estratégias suficientes para manter os negócios funcionando sem problemas. Em qualquer caso, erros de previsão se traduzem em custos reais de negócios.

Em um novo negócio, no entanto, temos um agravante: não possuímos dados históricos de vendas e, por isso, não podemos fazer estimativas a partir deles; portanto, as previsões, nesse caso, são subjetivas e de natureza qualitativa. Desse modo, por estarem enraizados somente em uma análise de dados quantitativos, os dados históricos de vendas são baseados em opiniões e em diferentes fontes de julgamento. Esse tipo de método é particularmente relevante quando estamos lidando com um novo produto, que não possui dados históricos de vendas. Para obter ideias de que você precisa para uma previsão subjetiva, é necessário usar fontes, como pesquisas de clientes, questionários ou, até mesmo, o que é conhecido como comissão de opiniões executivas, que é um procedimento iterativo, baseado na entrada de especialistas de diferentes divisões da organização ou de mercado.

somente em uma análise de dados quantitativos, os dados históricos de vendas são baseados em opiniões e em diferentes fontes de julgamento.

Fluxo de caixa futuro

Um fluxo de caixa futuro mostra os lucros e as perdas para um período futuro específico, que pode ser um, dois ou cinco anos, por exemplo. Ele usa o mesmo formato de uma demonstração de resultados normal, mas estima o futuro em vez de analisar números do passado. Nesta perspectiva, o fluxo de caixa futuro é essencial no contexto dos planos de negócios, para atrair investidores; por isso, deve ser o mais preciso possível, mesmo que seja sobre eventos que, ainda, não ocorreram. As estratégias para fazer projeções dependem da idade do negócio e de sua experiência:

  • Se for realizar projeções para uma empresa estabelecida, as vendas e as despesas anteriores são um guia para projeção do futuro.
  • Se a empresa é uma startup e o empreendedor possui experiência no setor, ele pode utilizar isso para fazer suas projeções.
  • Se o empreendedor não tem experiência, ele pode contratar alguém que tenha, ou extrapolar a pesquisa de mercado realizada para a startup , que foi o caso de Antônio, em seu novo negócio.

Neste contexto, o primeiro passo, para desenvolver o fluxo de caixa, é estimar as receitas da empresa, para desenvolver o orçamento de produção, e o lucro. Para desenvolver o orçamento da produção, estimam-se os custos com base nos métodos de custeio. Como já sabemos os custos da empresa de Antônio, trabalharemos na projeção de receitas.

Desse modo, veremos, agora, o planejamento de vendas da padaria de Antônio, que foi elaborado com base no seu estudo de mercado, realizado no bairro onde ela será instalada. Para isso, foram utilizados, como parâmetros para os cálculos de previsão de vendas, o número de habitantes no bairro e a frequência de compra. Com base nas respostas obtidas, observou-se que o gasto médio do consumidor na padaria estava em torno de R$ 11,24 por pessoa. Observe, na tabela a seguir, a mensuração da demanda com base nos itens anteriores.

Tabela 1 - Planejamento de vendas com base no Estudo de Mercado.

Fonte: a autora.

Em relação ao consumo, observou-se que 76,6% das famílias consomem por semana até R$ 52,00 em produtos de padaria, e 17,7% gastam até R$ 82,00 por semana, e, dessas pessoas, 42,8% vão à padaria todos os dias da semana. Diante disso, estimou-se um gasto médio de R$ 11,24 reais por pessoa.

O bairro, em que estará localizada a padaria, possui 8.600 habitantes, com apenas um concorrente direto e um supermercado (concorrente indireto). Para o cálculo do potencial de demanda, com base em julgamentos pela comissão do projeto, considerou-se, apenas, 4,3% desta população (370 habitantes). Considerando esta amostra e a frequência de compras do consumidor, identificada na pesquisa, calculamos a quantidade de clientes por semana na padaria. É importante destacar que essa região está localizada dentro de uma região que possui mais de 25 mil habitantes, que também são potenciais clientes. Entretanto, para nossas análises, consideraremos, apenas, a população do bairro.

Assim, se 42,8% da amostra compram todos os dias na padaria (sete dias), o que representa 1.108 vendas, com um gasto médio por cliente de R$ 11,24, será gerado um faturamento semanal de R$12.453,92. Se 20,4% da amostra compram três vezes por semana, o que representa 226 vendas, com um valor médio de R$ 11,24, será gerado um faturamento de R$ 2.540,24. Por último, se 25,8% da amostra compram duas vezes por semana, o que representa 190 vendas, será gerado um faturamento de R$ 2.135,60.

Portanto, temos um total de vendas semanais de R$ 17.129,16; mensais de R$ 68.516,67; e anuais de R$ 822.220,00, para o primeiro ano. Diante disso, está apresentado, na tabela a seguir, o planejamento de venda da padaria para os próximos cinco anos, considerando uma taxa de crescimento em torno de 10%/ano.

Tabela 2 - Planejamento de vendas Padaria Dolce Vita.

Fonte: a autora.

Considerando que nós já realizamos a previsão de vendas para os próximos cinco anos, elaboraremos o fluxo de caixa projetado para esse período. Observe que a previsão de aumento dos custos e das despesas seguirá de acordo com a elevação das vendas, mediante a capacidade produtiva disponível da padaria, que, no primeiro ano, atuará em 50%. Assim, mesmo que seja necessário um aumento nessa estrutura de custos, ele já estará projetado no fluxo de caixa em forma de reserva de contingência, para atender a uma eventual subestimação de demanda, conforme apresentado na tabela a seguir:

Tabela 3 - Fluxo de caixa futuro - Padaria Dolce Vita.

Fonte: a autora.

Cálculo do capital de giro

Quando pensamos em abrir um negócio, é essencial considerarmos o valor do investimento em ativos físicos, como a compra de máquinas e equipamentos, e na infraestrutura. No entanto, desde o dia em que a empresa abre as portas, é necessário ter recursos suficientes para atender às projeções de demanda realizadas no estudo de mercado .

Se a projeção de demanda for superestimada, significa que a empresa venderá menos e, por isso, dependendo do setor, precisará ajustar essas vendas à produção, de forma que ela não fique sem capital de giro. Por exemplo, se Antônio, ao abrir a padaria, observar que a demanda que ele tinha estimado diariamente era menor do que a que realmente tem vendido, não deve continuar fabricando a mesma quantidade de pães, pois isso levará ao desperdício. Por sua vez, se a demanda for subestimada, isto é, for maior do que foi estimado, a empresa precisará investir mais em capital de giro para atendê-la. Nesta perspectiva:

“o capital de giro é o sacrifício financeiro que a empresa deve manter disponível para financiar o seu ciclo operacional, isto é, envolve a aquisição dos materiais diretos e a sua estocagem, os estoques de produtos acabados e o recebimento dos valores referentes à comercialização” (DUBOIS et al ., 2019, p. 137).

Assim, a quantidade adequada de capital de giro ajudará a empresa a crescer, mas, por outro lado, a falta desse capital afetará o período de tempo a ser administrado, pela empresa, entre o pagamento de seus fornecedores e a obtenção de dinheiro de seus clientes. Esse período é chamado ciclo de capital de giro.

Para os investidores, níveis bem administrados de capital de giro podem ser boa medida do potencial e do sucesso de uma pequena empresa. Nesse sentido, qualquer sinal de pressão sobre o capital de giro é um aviso de que a empresa pode não ser capaz de honrar seus passivos financeiros. Isso pode ocorrer em casos em que as condições do mercado não são favoráveis, ou se as vendas caírem.

O Capital de giro é a quantidade de ativos líquidos que uma organização tem em mãos. Os investimentos de capital de giro são necessários para pagar despesas inesperadas e planejadas, construir um negócio e atender às obrigações de curto prazo do negócio. O investimento de capital de giro é a quantia de dinheiro necessária para expandir seus negócios, cumprir responsabilidades comerciais de curto prazo e cobrir despesas comerciais.

REFLITA!

Podemos dizer que um capital inicial é a quantia de dinheiro necessária para começar um negócio até que ele produza receita suficiente para que possa pagar por si mesmo. Você pode obter investimentos de capital de giro e capital inicial de subsídios, empréstimos, parceiros e investidores, ou, também, usar seus próprios recursos pessoais de financiamento para financiar seus negócios.

Um negócio, em boa situação financeira, deve ter capital de giro suficiente para pagar todas as suas contas durante um período, de forma a manter-se competitivo no mercado. Assim, uma empresa pode ter os recursos necessários para expandir a produção com recursos internos, mas, se não os tiver, precisará recorrer ao banco ou ao mercado financeiro para levantar fundos adicionais para elevar os seus níveis de capital de giro. Diante disso, o capital de giro possui os seguintes elementos: devedores por vendas (clientes), estoques de materiais diretos, estoques de produtos acabados e fornecedores.

Os devedores por vendas representam o valor correspondente ao montante em que a empresa financia o cliente, caso ela venda a prazo. Existem empresas que financiam seus clientes com prazos de 30, 60 ou 90 dias, isso significa que houve o emprego de recursos para financiar a produção, que será recebido após certo prazo.

Assim, se a empresa vender seus produtos para receber em média a cada dia, logo, o valor dos devedores por vendas será o resultado de seu faturamento vezes o índice de dias: 45/30 = 1,5 (DUBOIS et al., 2019). Por exemplo, se a Padaria Dolce Vita comercializar 60% de seus produtos por meio de cartão de crédito, o faturamento mensal, a partir dessa fonte de receita, será de R$ 41.111,65; a política de recebimento será de 30 dias; e o valor de devedores por vendas será de R$ 41.111,65 — (30/30) x R$ 41.111,65. O estoque de materiais diretos, segundo Dubois (2019), é o valor monetário correspondente aos estoques de materiais diretos que a empresa é obrigada a manter, para não sofrer problemas de continuidade de produção (DUBOIS et al., 2019, p. 137).

A partir desses estoques, a empresa não terá que adquirir, de forma contínua, os materiais de que precisa para manter a sua produção constante. Vejamos o que autor reflete sobre:

“Logicamente, esses estoques deverão ser mantidos em virtude de certos elementos que levam em consideração sua utilização, durabilidade, preço e o período de tempo que o fornecedor demora para efetuar a entrega desses materiais diretos” (DUBOIS et al ., 2019, p. 137).

Nesta perspectiva, se uma empresa precisa manter um estoque de material direto durante um período, por exemplo, de 15 dias, o valor que corresponde a esse estoque será o montante de aquisição dele multiplicado pela razão 15/30. Por exemplo, em certo mês, uma empresa adquiriu R$ 22.698,49 de materiais diretos, e a sua política consiste em manter 15 dias de estoque desses materiais. Assim, o valor que corresponde ao estoque de materiais diretos será de R$ 11.349,24 — (15/30) × R$ 22.698,49. Os estoques de produtos acabados, segundo o autor é o valor monetário correspondente aos estoques de produtos acabados que a empresa deve manter, para não incorrer em problemas de falta de produtos prontos para atender a suas vendas” (DUBOIS et al., 2019, p. 138). Com isso, a empresa não terá o risco de perder vendas e, dessa forma, os seus clientes estarão satisfeitos com o rápido atendimento dela. Com isso, a empresa não terá o risco de perder vendas e, dessa forma, os seus clientes estarão satisfeitos com o rápido atendimento dela.

Esses estoques também deverão ser mantidos em virtude de certos elementos, tais como durabilidade e sazonalidade do produto elaborado” (DUBOIS et al., 2019, p.138). Diante disso, se uma empresa precisa manter determinado estoque de produtos acabados para atender a uma demanda de 15 dias, o valor que corresponde a esse estoque será o seu custo total multiplicado pela razão 3/30. Por exemplo, em certo mês, a empresa teve um custo total de R$ 37.620,36, e a sua política consiste em manter três dias de estoque desses produtos. Assim, o valor correspondente ao estoque de produtos acabados será de R$ 3.762.03 — (3/30) × R$ 37.620,36. Os fornecedores representam, para o autor: Os fornecedores representam

“[...] determinado valor em que os fornecedores de materiais diretos financiam a empresa que os adquire. É notório que esse fato só ocorre quando a empresa adquire os seus materiais diretos a prazo” (DUBOIS et al ., 2019, p. 138).

Esse financiamento que a empresa recebe é resultante dela pagar pelos materiais diretos a prazo, por exemplo, com 30, 60 ou 90 dias da data da aquisição. Nesta perspectiva, se uma empresa realiza os pagamentos correspondentes a materiais diretos em 15 dias, o montante que corresponde aos fornecedores será o resultado do valor da compra multiplicado pela razão 15/30. Por exemplo: em determinado mês, uma empresa adquire materiais diretos pelo valor de R$ 25.000,00, e a sua política consiste em pagar os seus fornecedores em 15 dias da data da compra.

Assim, o valor correspondente aos fornecedores será de R$ 12.500,00 — (15/30) x 25.000. Portanto, considerando os exemplos anteriores, “o capital de giro que a empresa está apresentando será o resultado dos elementos negativos a ela, deduzido do único elemento positivo, que é o item fornecedores” (DUBOIS et al ., 2019, p. 139). Os elementos conhecidos como “negativos” são aqueles para os quais deve-se dispor de valor suficiente no seu caixa para poder girar a empresa durante 30 dias na sua atividade.

Por sua vez, “o único elemento ‘positivo’ no capital de giro é constituído pelos fornecedores de materiais diretos da empresa. Observe agora que a empresa, ao adquirir os materiais diretos necessários para a sua produção, passa a ser uma devedora por venda dos seus fornecedores” (DUBOIS, et al . 2019, p.139). Considerando que os exemplos do capital de giro da empresa apresentarão um valor de R$ 450.000,00, vejamos:

Devedores por vendas = R$ 41.111,65
(+)Estoques de materiais diretos = 11.349,24
(+)Estoques de produtos acabados = R$ 3.762,03
Total dos fatores negativos = R$ 56.222,92
(-) Fornecedores = R$ 12.500,00
Total dos elementos positivos = R$ 12.500,00

Vejamos então o cálculo do capital de giro mensal do primeiro ano para a empresa Dolce e Vita a seguir:

Tabela 4 - Capital de Giro da Padaria Dolce Vita.

Fonte: a autora.

Assim, o capital de giro mensal do primeiro ano para a empresa Dolce e Vita será de R$ 43.702,92 (R$ 56.222,92 - R$ 12.500,00). A partir dele, consideramos que a empresa aumentará as vendas em 10% ao ano, durante os próximos cinco anos; então, precisamos incrementar o capital de giro do projeto para acompanhar a evolução das receitas, conforme apresentado na tabela acima.

NOVOS DESAFIOS

Neste tema de aprendizagem conhecemos como é elaborado um fluxo de caixa e os principais aspectos que envolvem a confecção do mesmo. Um fluxo de caixa futuro mostra os lucros e as perdas para um período futuro específico, que pode ser um, dois ou cinco anos, por exemplo. Aprendemos que o Capital de giro é a quantidade de ativos líquidos que uma organização tem em mãos.

A questão-chave que deve ser lembrada é que um aumento no capital de giro é uma saída de caixa. Isso é um investimento, pois, se uma empresa precisa comprar mais estoques, por exemplo, haverá um custo de caixa. Igualmente, uma redução do capital de giro é uma entrada de caixa. Portanto, se, no final de um projeto, o capital de giro investido não for mais necessário, haverá uma sobra de caixa, que poderá ser aplicada em ativos financeiros.

REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, A. Matemática financeira . São Paulo: Atlas, 2017.

DUBOIS, A. et al . Gestão de custos e formação de preços . 4. ed. São Paulo: Atlas, 2019

PADOVEZE, C. L. Introdução à administração financeira : texto e exercícios. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

PUCCINI, A. L. Matemática financeira : objetiva e aplicada. 10.ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

SOUZA, A. B. Curso de administração financeira e orçamento : princípios e aplicações. São Paulo: Atlas, 2014.

VANNUCI, L. R. Matemática financeira e engenharia econômica – princípios e aplicações. São Paulo: Blucher, 2013